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sexta-feira, 23 de julho de 2010

COMO ELIMINAR RATOS COM RATICIDAS

USO DE RATICIDAS NO AMBIENTE INDUSTRIAL


Utilizar produtos químicos, sejam eles quais forem, deve ser norteado com extrema cautela e planejamento. Para o controle de roedores a utilização de raticidas requer acompanhamento para que o objetivo final seja alcançado, ou seja, a eliminação de roedores do ambiente.

A simples presença de um raticida no ambiente não significa que o trabalho terá sucesso. Não podemos nos esquecer que raticidas são formulações que contém elementos químicos sintéticos em pequenas doses além de atraentes e inertes e que competem com a dieta escolhida pelos roedores.

Hoje no mercado existem alguns poucos tipos de formulações que ajudam, se forem usados com conhecimento e bom senso. Caso contrário, serão somente pequenos blocos parafinados cheios de formigas e outros insetos atraídos pelos elementos alimentares que compõem a formulação.

A formulação mais popular certamente é a isca parafinada, em especial no controle da ratazana. O bloco parafinado é interessante por vários motivos: é mais durável que as iscas comuns, suporta agressões como a água, é aceito pelos ratos, pois eles podem morder o bloco e até engolir partes dele, que é nosso objetivo final. As outras formulações a granel ou em pellets são menos utilizadas por ficarem íntegras por pouco tempo no ambiente e não resistirem a agressões ambientais, mofando rapidamente.

Há uma crença popular que rato gosta de lixo, de comida estragada, de restos. Essa crença não é baseada em conhecimento científico e sim em folclore. Ratos são animais extremamente inteligentes, ágeis, com alto grau de locomoção e o lixo é para eles somente um sinal de alerta, ou seja, eles sabem que em determinado lugar existe uma comunidade humana através de sua movimentação e de seu lixo. Atraído pelos odores fortes, eles buscam então o cofre principal, onde estão as comidas boas íntegras, cheirosas, em bom estado. Para chegar lá, usam todas as ferramentas aprendidas em milhares de anos de evolução que são seus dentes incisivos poderosos, sua audição impecável, seu paladar extremamente apurado, seu senso de tato adaptado para andar em estruturas sem iluminação, musculatura forte para superar todos os obstáculos. Acho que alguns dos leitores devem ter visto o filme Ratatouille em que o herói rato REMY é usado pela colônia para identificar presença de veneno para ratos nos alimentos que eles encontram e trazem para a colônia, e ele o faz com grande acerto. Na vida real, as coisas funcionam desse jeito. Um rato é capaz de perceber um produto químico diluído em partes por milhão e assim evitar a isca oferecida, salvando a vida de todos da colônia, pois eles também se comunicam através de cheiros. Se um alimento está em bom estado e é consumido os outros componentes da colônia percebem que alimento buscar através do cheiro em sua pelagem e em seu hálito. Assim, todos consomem o mesmo tipo de alimento em segurança.

Imaginem então o dia a dia do rato em que ele sai em busca do alimento para a sua sobrevivência diariamente e fareja um local onde está sendo oferecido um ponto de isca. Certamente que ele não vai comer imediatamente a isca. Ele vai cheirar, vai recuar, vai dar uma pequena mordida e só então vai poder consumir com relativa tranquilidade. Daí a necessidade dessa isca ser anticoagulante pois o efeito tóxico só acontecerá entre 3 a 5 dias depois do consumo, o que vai dificultar para o rato a associação entre a isca e o efeito tóxico, permitindo que outros ratos continuem a se alimentar no mesmo local.

Se ele encontrar uma isca embolorada, com presença de insetos, ele também vai rejeitar a isca graças ao seu apurado paladar. Ele sempre busca um alimento em bom estado de conservação. Então a solução talvez seja preparar uma isca com bastante material parafinado para que ela resista mais ao tempo e a isca permaneça mais tempo inteira. Engano também, pois aí corremos o risco de perder a atratividade. Ratos não comem parafina por si, eles querem uma comida boa em bom estado de conservação. Sendo assim, a isca ideal deve ter alguma resistência, mas não pode perder a atratividade.Isso quer dizer que o tempo de vida útil de uma isca boa, bem atrativa, é de no máximo 30 dias.

No campo prático, isso quer dizer que todas as iscas devem ser trocadas sempre na visita que costuma ser mensal para manter o oferecimento sempre fresco e com boa aparência para que os ratos se interessem pela isca. Não devemos em hipótese alguma deixar algumas iscas sem trocar. Se o ponto de isca não estiver sendo mais visitado, o ideal é removê-lo para um local mais visitado pelos roedores para que seja consumido. O acompanhamento de um mapa de consumo é a ferramenta ideal para dizer os locais de maior consumo e de menor consumo, o que deve ser mudado ou não.

Finalmente, devemos ter em mente que o controle desta praga que nos acompanha desde os primórdios só será obtida com um trabalho conjunto de ações preventivas, educativas, criação de barreiras, gerenciamento de nossos resíduos, políticas adequadas. Sem todos esses itens bem afinados não haverá controle, apenas redução transitória.

Lucia Schuller
Bióloga