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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O QUE HÁ EM COMUM ENTRE O BOI E O CUPIM (Inseto)?



VOCÊ ENCONTRARÁ A RESPOSTA NO DECORRER DESTE ARTIGO.

            Estamos às vésperas de um periodo crítico do ano, a primavera, época em que a vida começa a acordar quando falamos de pragas urbanas. Esse ano de 2016 apresentou alguns dias de inverno pesado, porém se esses dias não repetirem teremos uma repetição do ano passado em termos de infestações e manifestações de infestações de cupins, pelo menos na região Sudeste do país. Para os cupins as temperaturas elevadas são ótimas, pois as colônias têm mais chances de reproduzir.

          Os cupins impactam muito as estruturas e não somente a madeira acaba virando perda ou prejuízo. Por incrível que pareça, o alumínio também pode ser alvo de cupins. Certamente que eles não comem ou roem o alumínio, porém aderem com seus trilhos de matéria orgânica às peças de aluminio, inutilizando-as definitivamente, fazendo com que elas retornem à condição de sucata.

Figura 1 - Peça de alumínio com vestígios de trilhos de cupins

Figura 2 - Os mesmos vestígios vistos de outro ângulo

Os cupins vivem escondidos a maior parte do ano e só são percebidos a partir de setembro de cada ano, com o aumento das temperaturas quando saem dos ninhos formando revoadas de acasalamento. São chamados de siriris ou aleluias.

Figura 3 - exemplo de revoada de cupins reprodutores, chamados de siriris ou aleluias

Muitas verdades e não verdades são ditas a respeito desse inseto. Vamos ver algumas delas:

1 – Cupim come concreto – falso.

Na verdade a concretagem além de trabalhar expandindo e contraindo de acordo com a temperatura exterior forma fissuras que são usadas pelos cupins para dar passagem a seus trilhos e chegar ao ponto de interesse, ou seja , a madeira que contém a celulose, o alimento preferencial desses insetos.

O cupim só come materiais que contenham celulose que é um composto orgânico, um polissacarídeo que consiste em uma corrente linear de algumas centenas a milhares de unidades de glicose. A celulose é o principal componente dos tecidos de plantas verdes, muitas algas e oomicetos e é o mais comum composto orgânico encontrado na natureza. Cerca de 33% de todas as plantas é feito de celulose.


                                                 Figura 4 - celulose

Voltando à pergunta deste artigo – o que existe de comum entre os cupins e um boi ou ruminante é a capacidade de digerir celulose. As duas espécies alimentam-se de fibras vegetais que são digeridas graças a microrganismos (protozoários) simbiontes que vivem dentro do rúmen (bovinos) e do trato intestinal de cupins e é isso que os dois organismos têm em comum.

2 – Os cupins liberam um pó que cai dos buracos como resíduo – verdadeiro.
Verdadeiro quando falamos de cupim de madeira seca ou de brocas. Vamos falar sobre as brocas mais adiante.

Na verdade os cupins trabalham silenciosamente, no escuro, em locais expandidos para fazer os seus ninhos. Estamos falando de cuins subterrâneos. A espécie Coptotermes gestroi é a mais conhecido por gerar grandes prejuízos às estruturas urbanas. É uma espécie exótica, ou seja, veio de outro país, não é nativa, e por isso acabou encontrando ambiente mais favorável, sem predadores conhecidos. O gênero Coptotermes abrange 48 espécies das quais 23 são orientais. Nem todas as espécies do gênero Coptotermes são invasoras de estruturas, porém as que o fazem, como a espécie C. gestroi o fazem melhor do que todas as espécies de cupins existentes. Podem formar colônias de alguns milhões de indivíduos e seus túneis de forrageamento podem alcançar 100 metros de extensão.











Figura 5 - Coptotermes gestroi (cupim subterraneo asiatico)

Figura 6 - tunel feito por cupim subterraneo

Temos também os estragos causados por cupins de outra espécie – Cryptotermes brevis – que ataca somente peças de madeira, portas, móveis e outras estruturas. A presença do cupim de madeira seca, como essa espécie é chamada, é revelada por montes de resíduos fecais que transbordam para fora dos furos na madeira. Esses resíduos fecais são ásperos ao toque e na lupa são bolotas estriadas bem características.


Figura 7 - bolotas fecais de cupim de madeira seca
Esses insetos não penetram nas estruturas de alvenaria, atacando diretamente as peças de madeira.
Além dos cupins subterrâneos e dos cupins de madeira seca, temos as brocas. Essas não são insetos sociais, ou seja, não estão organizadas em uma estrutura social com rei, rainha, operários e soldados. Na verdade são insetos solitários, que perfuram a madeira para ali colocar os seus ovos e as larvas que saírem desses ovos é que vão causar o estrago. São pequenos besouros, porém, às vezes podem causar estragos mensuráveis, atacando portas, janelas, armários, pallets e outras peças de madeira.





Os danos causados por esses insetos aparecem na forma de pequenas perfurações com furos bem arredondados por onde sai um pó bem fino semelhante a talco resultante do trabalho feito pelas larvas na sua permanência dentro da madeira.


Figura 9 - perfurações feitas por brocas

Resumindo, esse período do ano é uma época em que todos esses insetos estarão ativos. O fato positivo é que diante dessa atividade é possível observar e chegar às origens da infestação e conseguir a sua erradicação. Tudo tem seu lado bom e ruim na vida. Nesse caso esse é o lado bom. O ruim é que há um custo para realizar o trabalho de eliminação desses insetos, porém quanto mais cedo a sua presença for percebida, melhor e menor o custo da intervenção.

Lucia Schuller

Bióloga

quarta-feira, 27 de julho de 2016

COMBATENDO AS FORMIGAS DOMÉSTICAS

COMBATENDO AS FORMIGAS DOMÉSTICAS

Um fato despertou a minha atenção recentemente e as fotos neste artigo demonstram o meu espanto na força de adaptação dessa criaturinha minúscula que é a formiga fantasma (Tapinoma melanocephalum). Milhões delas instalaram-se confortavelmente dentro de uma fita de vhs que estava no meu escritório e, durante uma faxina, foi recuperada e rapidamente levada ao biotério para alimentação e cuidados.


Figura 1 - fita vhs infestada com Tapinoma melanocephalum
     

  

Figura 2 –detalhes das crias


Figura 3 - a colônia é bem grande e está bem acomodada

As colônias de Tapinoma sempre foram fascinantes para mim, pois as tenho observado há longo tempo. Estiverem muito presentes durante as pesquisas que fiz para obtenção do título de Mestrado e são realmente admiráveis.
Elas fazem parte de um grupo seleto de formigas conhecidas como “tramp ants” em inglês que quer dizer formigas andarilhas, aquelas que se mudam muito. E a Tapinoma é um exemplo muito claro dessa estranha característica dessas formigas.
Quando fui convidada a escrever um artigo a respeito das formigas “tramp ants” fiquei um tempo imaginando o que poderia escrever para contribuir aos leitores da Vetores e Pragas, por onde passaram grandes mestres da entomologia e especialistas no conhecimento a respeito de formigas. Achei que seria interessante falar de uma forma menos acadêmica e mais prática a respeito dessas formigas e, em especial da Tapinoma que tantas alegrias e perturbações me trouxe na minha vida profissional.
É relativamente fácil escrever sobre a biologia, etologia dessas formigas. Basta abrir um dos milhares livros que já foram escritos sobre o assunto e todas as informações estão ali. Isso todos nós podemos fazer, mas a minha proposta é falar um pouco da minha curta vivência com essas formigas e passar as minhas impressões. Vou apreciar muito saber dos meus colegas que porventura tiverem a paciência de ler esse artigo, de suas opiniões e experiências com esses magníficos insetos.
Meu primeiro encontro com essa formiga foi na sala de trabalho quando observei que umas formiguinhas minúsculas entravam e saiam de um buraco feito por um prego na minha parede. Achei estranho, pois um carreiro de formigas era mais comum em formigas cortadeiras, mas esse era um carreiro muito ativo. Por alguns dias observei e ofereci alguns alimentos para essas formigas que cada dia aumentavam a sua coleta diária.
Capturei algumas e observei na lupa. Eram estranhas aquelas formiguinhas, com pernas e abdômen clarinhos. Fui então pesquisar na internet, que era muito fraquinha e incipiente na ocasião, porém, encontrei num site de imagens a foto da minha formiguinha. Lá estava ela, a Tapinoma melanocephalum. Esse foi meu primeiro encontro com essa formiga. O ano por volta de 1997/98. Ainda não víamos muito dessas formigas por aí. Na época surgiu uma isca para formigas na forma de pasta que eu usei com ótimos resultados.
Pouco tempo depois, durante o curso de Entomologia Urbana na UNESP o meu interesse for essas formiguinhas foi crescendo. O meu despertar para esse conhecimento surgiu graças aos estímulos e informações fornecidas na época, especialmente pela Prof.ª Ana Eugenia Campos, que acompanhou o meu trabalho e, mais tarde, participou da banca de Mestrado onde apresentei a tese sobre as formigas urbanas.
Com certeza, controlar essas formigas não tem nada de simples. Para nós, controladores de pragas, habituados a usar inseticidas em aspersão para quase tudo, é um desafio. Recordo-me de uma das minhas primeiras tarefas como controladora de Tapinoma em um conjunto de casas, utilizei para isso a técnica que considerava adequada para descobrir as formigas, que foi o uso de iscas atrativas. Na UNESP nos ensinaram a fabricar uma isca com vários ingredientes, uma amálgama de carboidratos e proteína. Na minha vida pratica produzir essas iscas requeria alguns equipamentos que eu não possuía então resolvi usar o açúcar, porém acrescido de um pouco de água. Deu bastante certo. As formigas eram atraídas para essa isca em grande quantidade, mesmo sem as proteínas. E foi nesse ponto que eu cometi o meu primeiro erro de controle, talvez por não ter disponível o material necessário. Eu consegui atrair as formigas, porém usava um spray com uma combinação de três princípios ativos, muito eficaz para a maioria dos problemas, mas que fez justamente o contrário aumentou o numero de formigas a tal ponto que eu perdi o controle. Nesse ponto, precisamos fazer uma pausa para entender essa situação de forma mais clara. O mercado brasileiro engatinhava em termos de iscas para formigas na ocasião, e aquele gel que tinha dado tão certo na primeira vez já não fazia o mesmo efeito, talvez alguma mudança na fórmula, não sei dizer. Recorri então ao spray e toda aquela tese que os livros falam que as formigas se espalham quando usamos inseticidas em forma de spray virou pura realidade. Na vida é assim, tombamos muito para aprender e, realmente, entender essas formiguinhas é fundamental.
A Bibliografia disponível, a qual eu costumo recorrer nos momentos de dúvida e dificuldade, mostram muitos ensaios com formigas em áreas agrícolas, Tapinoma, Linepithema e outras e mostram resultados químicos, porém quase nada se fala sobre o comportamento desses animais. As informações chegam até nós em artigos feitos no exterior e as brasileiras enfocam as espécies encontradas, uma espécie de censo demográfico das formigas exóticas e nativas que invadem hospitais, na sua maioria. Certa ocasião uma professora da graduação desabafou dizendo por que tanta informação é publicada envolvendo dados estatísticos. Para ela, a estatística passou a ser mais importante que o próprio animal e tenho que concordar com ela. Na biologia, o que mais me interessa é observar o animal, ver do que ele é capaz. Como profissional de controle de pragas essa conduta me ajuda a entender como esse animal “pensa”, onde ela vai se esconder e a partir daí eu vou tentar encontrar soluções práticas para impedir que esse animal nos incomode.
É fato mais do que conhecido que as formigas são insetos vetores de microrganismos patogênicos e não patogênicos. Desde Beatson (1976) que observou isso pela primeira vez até os vários pesquisadores que se seguiram nessa pesquisa em todo o mundo, vários microrganismo de importância médica foram encontrados abrigados nas formigas, nas suas pernas , no seu corpo ou exoesqueleto como um todo. Minha orientadora no Mestrado, Dra. Maria Helena Matté, me ajudou numa experiência em que contaminamos com uma bactéria conhecida um grupo de formigas e as fotografamos dentro da própria Faculdade de Saúde Pública. A fotografia foi feita por outro departamento porem a contaminação foi nossa e foi muito prazeroso ver, de fato, bactérias coladinhas no exoesqueleto das formigas do ensaio, foi uma prova irrefutável que esses insetos representam um sério perigo para a Saúde Pública.

Figura 4 - imagem de parte de corpo de formiga Monomorium floricola contaminada com Escherichia coli durante experimento feito por Lucia Schuller sob orientação da Dra. Maria Helena Matté da Faculdade de Saúde Pública da USP


Como foi a adaptação dessas formigas nos ambientes urbanos? Vários materiais são utilizados nas construções e todos eles sofrem desgaste que é provocado pelo clima. A madeira é um deles, movimentando-se o tempo toda a madeira é um elemento preferencial de abrigo dessas formigas. Características da madeira são porosidade, permite a infiltração de água e aderência de alimentos, é muito difícil de higienizar e, por isso mesmo, é vedada em áreas de alimentos. No entanto, apesar dessa restrição legal, durante a minha pesquisa de campo encontrei inúmeras situações de áreas de preparo, distribuição e estoque de alimentos em que a madeira estava presente. Coincidentemente ou não, as formigas estavam nesses mesmos lugares. E assim vai, se observarmos todos os elementos que usamos em nossas construções, eles sofrem a ação do tempo, se desgastam e se rompem. As formigas são insetos muito pequenos, algumas medem menos de um mm, sendo assim fica muito fácil para elas, considerando os materiais disponíveis, escolher um bom local de abrigo dentro de uma estrutura, seja ela qualquer uma.
Pode parecer uma desculpa esfarrapada atribuir aos materiais a presença das formigas, mas não podemos nos esquecer de que na profissão de controladores de pragas temos como obrigação conhecer como vivem as pragas, como elas se estruturam, como se abrigam, o que comem. Sem esse conhecimento deixamos de ser controladores de pragas e passamos a ser aplicadores de saneantes domissanitários, o que, aliás, nada tem a ver com a nossa profissão.
Já aprendemos que os inseticidas têm as suas limitações e isso vale muito para o Brasil onde há algumas formulações como as líquidas, para formigas, por exemplo, que não tem registro por aqui.  Certa ocasião, quando um produto isca sólida era comercializado no Brasil, cujo ingrediente ativo era a hidrametilnona, percebi que algumas formigas pequenas não carregavam a isca. Experimentamos moer um pouco a isca, diminuindo o tamanho das partículas e a aceitação foi geral. São observações como essas que vão sendo perdidas, pois não são publicadas em nenhum lugar nem têm espaço nas revistas científicas e que são de grande utilidade para nós. Certamente que seria muito melhor se tivéssemos um sortimento farto de produtos para controlar formigas “tramp ants”. Algumas formulações do tipo sólido desapareceram do mercado e restaram somente os géis, o que limita sobremaneira nosso trabalho.
Assim posto, posso afirmar que muito se consegue em termos de controle se fizermos também o trabalho de “cura” ambiental, ou seja, a melhoria das condições ambientais, através da diminuição dos espaços para sobrevivência desses animais. Uma imagem interessante que acho importante destacar é a figura 5, onde observamos uma parede de onde foi removido todo o revestimento de azulejos feito há 35 anos. Nota-se que há um espaço grande entre o “bolo” de massa aplicada e o azulejo seguinte, mostrando claramente aonde as formigas e outros insetos crípticos vão se esconder. Em outras palavras, ou aplicamos inseticida em cada buraquinho desses ou vedamos com massa para solucionar de vez o problema.

Figura 5 - flagrante obtido durante a remoção dos azulejos com cerca de 35 anos de idade mostrando como a massa era colocada e os vãos que ela oferecia depois da secagem para abrigo de vários organismos, inclusive de colônias de formigas.


Para o controle das "tramp ants” precisamos interagir com o exterior também, pois muitas formigas que recebem essa denominação estão alojadas no lado de fora, em cascas de árvores, em frestas grandes das estruturas e aí as ações tradicionais de aspersão de inseticida farão o efeito necessário.
Finalmente, há alguns requerimentos necessários para o controle dessas formigas:
1.       Conhecer e identificar todas as espécies predominantes
2.       Conhecer sua biologia, etologia e ecologia.
3.       Conhecer todas as matérias primas disponíveis para o controle no mercado.
4.       Praticar ações preventivas, fechando frestas e orientando o cliente nestas ações.
5.       Educar os clientes conscientizando-os para o problema com formigas e evidenciando as consequências da convivência com esses insetos.
6.       Observar o derredor das edificações já que formigas se deslocam em grandes distâncias para chegar ao alimento ou mesmo para “passear”. Um relato da Dra. Ana Eugenia me impressionou quando ela disse ter marcado formigas que apareciam em seu apartamento e observá-las posteriormente muitos andares acima.
7.       Formigas transitam pela rede elétrica, em busca de abrigo e calor. Procure inspecionar essas áreas para colocar o produto certo. Minha sugestão é o uso de talco ao invés de pós inseticidas.
8.       Oriente o cliente quanto à colocação de plantas nos interiores. Plantas sempre abrigam microrganismos e insetos e uma colônia das chamadas “tramp ants” pode ficar num vasinho de violetas.
9.       Verificar se a área externa das edificações têm muitas fissuras. Formigas como as do gênero Paratrechina gostam de abrigar-se nestas frestas e de lá se movimentam em direção aos pontos de interesse.
10.   Em hospitais, as formigas Paratrechina costumam ser atraídas para caixas que contém restos de curativos, o lixinho, vamos dizer assim, da enfermaria. Fique de olho nessas caixas e observe a origem das formigas.
Como muitos de meus colegas já devem ter vivenciado, controlar formigas nos ambientes urbanos não é tarefa nada fácil. Mais do que nunca, depender só dos produtos químicos não vai dar certo. Há que se ter um olho clínico e observar bem o ambiente. Certamente, após ler esse artigo muitos dirão que já vivenciaram situações semelhantes ou terão informações novas a oferecer. Passo aqui somente a minha modesta experiência e que certamente será muito enriquecida com a experiência de todos os colegas que se interessarem pelo assunto.

Lucia Schuller
Bióloga e Mestre em Saúde Pública pela USP
Bibliografia de apoio:

Beatson SH. Pharaoh’s ants as pathogens vectors in  hospitals. Lancet 1972; 1(7747):425-7
Beatson SH. Pharaoh’s ants enter giving-sets. Lancet 1973;1(7803):606.
Bueno OC, Fowler HG. Exotic Ants and Native Ant Fauna of Brazilian Hospitals. In: Williams D, editor. Exotic Ants: Biology, Impact and Control of Introduced Species. Boulder:Wstview Press; 1994. P. 191-198.
Hughes DE; Kassim OO; Gregory J; Stupart M; Austin L; Duffield R. Spectrum of bacterial pathogens transmitted by Pharaoh’s ants. Laboratory Animal Science. 1989; 39(2):167-168
Passera L. Characteristics of Tramp Species. In: Williams D, editor. Exotic Ants: Biology, Impact and Control of Introduced Species. Boulder, Westview Press; 1994. P.191-198.
Schuller L. Controle de Pragas nos Serviços de Alimentação. In Silva Jr EA. Manual de Controle Higiênico-Sanitário em Alimentos. 3ª ed. São Paulo: Livraria Varela; 1999. P.93-102.
Schuller L. Levantamento e Identificação das espécies de formigas andarilhas em indústria de medicamentos e seu controle. São Paulo (SP); 2000 (Monografia de conclusão de curso de Pós Graduação em Entomologia Urbana, UNESP).

Schuller L. Microrganismos patogênicos veiculados por formigas “andarilhas” em Unidades de Alimentação. São Paulo (SP); 2004 (Dissertação de Mestrado, Faculdade de Saúde Pública, USP)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Pragas em Supermercados


O novo numero da Revista CIPA traz mais um artigo sobre pragas urbanas e o acesso pode ser feito on line.

http://viewer.zmags.com/publication/18052267#/18052267/90

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ministério da Saúde confirma 1.709 casos de microcefalia



Ministério da Saúde (MS)

Novo boletim do Ministério da Saúde, divulgado nesta quarta-feira (20), aponta que, até 16 de julho, foram confirmados 1.709 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Permanecem em investigação pelo Ministério da Saúde e pelos estados 3.182 casos suspeitos de microcefalia em todo o país.

Desde o início das investigações, em outubro do ano passado, 8.571 casos foram notificados ao Ministério da Saúde. Destes, 3.680 foram descartados por apresentarem exames normais, ou por apresentarem microcefalia ou malformações confirmadas por causa não infecciosas. Também foram descartados por não se enquadrarem na definição de caso.

Do total de casos confirmados (1.709), 267 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus zika. O Ministério da Saúde, no entanto, ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. A pasta considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia. Os 1.709 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 595 municípios, localizados em todas as unidades da federação e no Distrito Federal.

No mesmo período, foram registrados 354 óbitos suspeitos de microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gestação (abortamento ou natimorto) no país. Isso representa 4,1% do total de casos notificados. Destes, 102 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 192 continuam em investigação e 60 foram descartados.

O Ministério da Saúde ressalta que está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central informados pelos estados, além da possível relação com o vírus zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis, toxoplasmose, outros agentes infecciosos, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.
A pasta orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.


Confira tabela de distribuição dos casos notificados de microcefalia por UF, até 16 de julho de 2016.

FIOCRUZ IDENTIFICA VIRUS ZICA NO PERNILONGO COMUM

Fiocruz identifica Culex no Recife com potencial para transmitir o vírus zika

21/07/2016

Fiocruz identifica Culex no Recife com potencial para transmitir o vírus zika

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Pesquisa inédita realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus (a popular muriçoca ou pernilongo doméstico) coletados na cidade do Recife. Esse achado confirma a espécie como potencial vetor do vírus causador da zika, hipótese que, de acordo com a literatura científica, não havia sido comprovada até o momento.



A pesquisa foi conduzida pela Fiocruz Pernambuco na Região Metropolitana do Recife, onde a população do Culex quinquefasciatus é cerca de vinte vezes maior do que a população de Aedes aegypti. Os resultados preliminares da pesquisa de campo identificaram a presença de Culex quinquefasciatus infectados naturalmente pelo vírus zika em três dos 80 pools* (grupos) de mosquitos analisados até o momento. Em duas dessas amostras os mosquitos não estavam alimentados, demonstrando que o vírus estava disseminado no organismo do inseto e não em uma alimentação recente num hospedeiro infectado.

A técnica utilizada no experimento foi RT-PCR quantitativa, baseada na detecção do RNA (material genético) do vírus. O material destes pools positivos foi usado para isolar as linhagens de vírus circulantes em Recife, em cultura de células, onde foi observado o efeito citopático provocado nas células – ou seja, foi observada a destruição ou danificação das células vero, o que comprova a presença de atividade viral.

A coleta dos mosquitos foi feita com base nos endereços dos casos relatados de zika nas cidades do Recife e Arcoverde, obtidos com a Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE). O número total de mosquitos examinados na pesquisa foi de aproximadamente 500. O objetivo do projeto é comparar o papel de algumas espécies de mosquitos do Brasil na transmissão de arboviroses. Foi dada prioridade ao vírus zika devido a epidemia da doença no Brasil e sua ligação com a microcefalia.

Na etapa de laboratório, com o objetivo de investigar a competência vetorial das espécies Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti, os mosquitos foram alimentados com uma mistura de sangue e vírus, permitindo o acompanhamento do processo de replicação do patógeno dentro do inseto. Foram realizadas duas infecções de mosquitos, cada infecção com duas concentrações de vírus diferente (104 e 106) da linhagem ZIKU BRPE243/2015. “A menor simula a condição de viremia de um paciente real. Em seguida, os mosquitos foram coletados em diferentes momentos: no tempo zero (logo após a infecção), três dias, sete dias, 11 e 15 dias após a infecção pelo vírus”, esclarece Constância Ayres, coordenadora do estudo.

Um grupo controle, com mosquitos alimentados com sangue sem o vírus, também foi mantido. Cada mosquito foi dissecado para a extração do intestino e da glândula salivar, tecidos que representam barreiras ao desenvolvimento do vírus. O procedimento se dá de maneira que, se a espécie não é vetor, em determinado momento o desenvolvimento do vírus é bloqueado pelo mosquito. No entanto, se ela é vetor, a replicação do vírus acontece, dissemina no corpo do inseto e acaba infectando a glândula salivar, a partir da qual poderá ser transmitido para outros hospedeiros durante a alimentação sanguínea, pela liberação de saliva contendo vírus. Segundo Constância, a partir do terceiro dia após a alimentação artificial, já foi possível detectar a presença do vírus nas glândulas salivares das duas espécies de mosquito investigadas. Após sete dias, foi observado o pico de infecção nas glândulas salivares o que foi confirmado através de microscopia eletrônica.

Além da detecção do vírus nesses tecidos (intestino e glândula salivar), foram investigadas amostras de saliva expelida pelos mosquitos infectados pela técnica de RT-PCR quantitativa. A carga viral encontrada nas duas espécies estudadas (Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus) foi similar.

A partir dos dados obtidos serão necessários estudos adicionais para avaliar o potencial da participação do Culex na disseminação do vírus zika e seu real papel na epidemia. O estudo atual tem grande relevância, uma vez que as medidas de controle de vetores são diferentes. Até os resultados de novas evidências, a política de controle da epidemia de zika continuará pautada pelas mesmas diretrizes, tendo seu foco central no controle do Aedes aegypti.


*Um pool de mosquitos é constituído de 1 a 10 mosquitos coletados em cada localidade, separado por sexo e espécie.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Baratas jantando !!!!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

CHUMBINHO UM RISCO À VIDA HUMANA E ANIMAL



Essa semana o noticiario fala de um crime? ou suicidio? envolvendo uma pessoa investigada por desvio de dinheiro e o que mais chama a atenção é o fato da morte ter ocorrido por ingestão de chumbinho, uma substancia ja abolida no Brasil e agora usada como arma.
Recentemente após uma apresentação em um Programa de TV onde falei sobre roedores urbanos uma telespectadora me ligou de Fortaleza no Ceará relatando o seu problema com roedores. O relato dela foi bastante interessante já que ela me confirmou um fato que é bastante conhecido na literatura e de todos que praticam profissionalmente o controle de roedores que é o uso de substâncias altamente tóxicas como é o caso do “chumbinho”. Coloco em aspas já que esse “produto” não é raticida; é apenas um produto em forma granulado para controle de pragas agrícolas e cujo uso foi “desviado” empiricamente para o controle de roedores. Provavelmente alguém usou como teste o produto para matar ratos, deu certo e a notícia se espalhou como pólvora, como toda a notícia ruim geralmente se espalha.
Nossos compatriotas brasileiros, infelizmente, relutam em seguir a legislação quando lhes convém, e em regiões menos adensadas ou com índices de informação menores, se é que podemos falar dessa maneira, são as que mais sofrem a ação de pessoas mal intencionadas que vendem tais substâncias e as autoridades que fecham os olhos a tais ações. Em uma visita a Salvador na Bahia pude constatar também a forma livre e descontraída com que é vendido o “chumbinho” em mercados populares e bastante frequentados.
Voltando à telespectadora, ela me relata o seu problema dizendo que não entende como, apesar de ter usado por várias vezes o chumbinho misturado com vários alimentos atrativos, ela não consegue matar os ratos já que eles não tocam na isca.
Existe uma resposta clara para essa pergunta e refere-se à “inteligência” dos ratos. Sei que muitos vão dizer que ratos são animais não racionais, que não possuem inteligência como os humanos. Pode até ser, mas pelo pouco que sabemos sobre os ratos podemos afirmar que eles têm uma forma de aprendizado que permite que eles evitem alguma coisa que pode ser um obstáculo, um objeto novo ou um alimento por suspeitar de sua segurança. Os animais são muito mais ligados em segurança do que nós humanos, pois eles sabem que o dia a dia deles é viver ou morrer. Seus movimentos diários em busca de alimentos ou a sua luta diária implica em muitos riscos. Quem se recorda de uma cena de um desenho animado que particularmente aprecio muito que é o Ratatouille? O herói da cena, um ratinho muito esperto e gourmet chamado de Rémy tem como função na colônia, através de seu apurado faro, selecionar os alimentos seguros dos inseguros, ou seja, os alimentos que continham ou não raticidas. Na vida real a biologia desses animais não é muito diferente do personagem do filme. Os ratos aprenderam através de tentativa e erro a evitar alimentos que provocam morte súbita ou muito rápida nos seus companheiros. Os ratos são animais gregários, ou seja, vivem em colônias onde há os líderes e os que obedecem aos líderes, as fêmeas e os filhotes e a questão alimento é um assunto de primordial importância.
O conhecido “chumbinho” que é muito comercializado no Brasil tem todas as características para ser evitado pelos roedores.
 O “chumbinho”, que nada mais é que o principio ativo Aldicarb (2-metil-2(metiltio)-propionaldeído O- (metilcarbamoil) oxima), foi introduzido na agricultura na década de 60 no controle de ampla variedade de insetos, ácaros e nematódeos.  O produto tem LD 50 estimado de 5 mg/kg de peso vivo, o que equivale a dizer que 400 miligramas dessa substância são suficientes para matar um homem  de 80 quilos em média. A DL 50 ou dose letal 50% de uma substância expressa o grau de toxicidade aguda das substâncias químicas. Corresponde às doses que matam 50% dos animais de um lote utilizados para experiência e são valores calculados de forma estatística a partir de dados obtidos nos experimentos. Com base nas DL 50 das várias substâncias são estabelecidas classes toxicológicas.
Ora, se tão pouco material mata um ser humano rapidamente o que acontece com um rato que pesa entre 200 e 550 gramas em média quando falamos de um rato de esgotos ou rato norvegico!
Claro que os ratos percebem essas mortes rápidas na colônia e logo associam ao efeito morte registrando mentalmente essa informação e passando aos demais membros da colônia através de uma linguagem pouco conhecida entre os cientistas. E é por essa razão que os ratos da nossa telespectadora de Fortaleza não morrem apesar de suas inúmeras tentativas de mudar o gosto do veneno, por mera esperteza. E assim vamos dizer que os ratos não são inteligentes? Fica aí a pergunta para quem quiser responder. Eu já sei que eles são, há muito tempo, além de serem oportunistas, resistentes, acrobatas, rápidos e outras qualidades mais que quisermos atribuir a esses bichos.
Voltando a falar sobre a substância encontrada no chumbinho, trata-se do aldicarb um carbamato e o Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas) apresenta dados em que 87% dos óbitos por suicídio no Brasil ocorrem por raticidas e, como os raticidas legalmente utilizados não causam morte súbita, concluímos que seja pelo uso indevido do “chumbinho”.
Em junho de 2012, a Anvisa cancelou o informe de avaliação toxicológica dos agrotóxicos à base de aldicarbe e, em outubro de 2012, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou o cancelamento do registro do Temik 150. Com a decisão, estão proibidos no Brasil a produção, a comercialização e o uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarbe.
Apesar dessa providência oficial o “chumbinho” ainda circula livremente no Brasil atendendo as expectativas de seus usuários em um primeiro momento e frustrando a seguir pelas razões já discutidas nesse texto.
A ANVISA alerta ainda que o “chumbinho” é um produto clandestino e que no rótulo não há quaisquer orientações quanto ao manuseio e à segurança, informações médicas, telefones de emergência, descrição do ingrediente ativo e antídotos que devem ser utilizados em casos de envenenamento, o que dificulta a ação de profissionais de saúde no atendimento a pessoas intoxicadas.
Os sintomas típicos de intoxicação por chumbinho são registrados em menos de uma hora após a ingestão e incluem náuseas, vômito, sudorese, salivação excessiva, visão borrada, contração da pupila, dor abdominal, diarreia, tremores e taquicardia.
Em caso de intoxicação, a orientação da Anvisa é que a pessoa ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. O serviço é gratuito e está disponível para todo o país.
 Lucia Schuller

Bióloga e Mestre em Saúde Pública