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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Iinfestação de cupins em video

Congresso Internacional de Entomologia em Orlando na Florida



A Sociedade Entomologica Americana vai hospedar o Congresso Internacional de Entomologia na cidade de Orlando, na Florida na próxima semana. O tema oficial do evento é Entomologia sem fronteiras e deverá reunir uma grande quantidade de cientistas do tema que virão de várias partes do mundo para troca de experiências e em busca de inovações.

A ABC EXPURGO estará cobrindo o evento trazendo informações para todos os que se interessam no assunto enfocando as pragas urbanas.

Aguardem mais informações no decorrer da semana que vem.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Estudo recomenda teste antes de vacinação para dengue; entenda os riscos ­

16/09/2016  

Notícias ­ Saúde http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas­noticias/redacao/2016/09/01/vacina­contra­dengue­e­mais­indicada­para­quem­ja­teve­a­doenca.htm  

Estudo recomenda teste antes de vacinação para dengue; entenda os riscos 

Fernando Cymbaluk Do UOL, em São Paulo 01/09/2016 17h28 m  Lucas Lima/UOL 

Estudo publicado na revista Science desta sexta-feira (2) indica que a vacina contra a dengue leva a um aumento de casos graves e hospitalizações em quem nunca teve a doença. Por isso, onde a incidência da dengue não é tão alta, os pesquisadores defendem que testes sejam feitos para detectar se a pessoa foi infectada antes da imunização. Os resultados corroboram os achados de pesquisa anterior, publicado no periódico científico Lancet (acesse os links no fim do texto). 

A vacina é aprovada no Brasil, e o Estado do Paraná conta com uma campanha de vacinação em 30 cidades (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/09/1809286-primeiracampanha-de-vacina-contra-dengue-tem-baixa-adesao-no-parana.shtml). 

Chamada Dengvaxia, ela é indicada para indivíduos de 9 anos a 45 anos. Esse limite de 9 anos é exatamente porque foram observadas reações nas crianças menores. Agora, os pesquisadores dos Estados Unidos e da Inglaterra sugerem que não é idade (como foi imaginado anteriormente) que causa o aumento nos casos graves, mas o não contato com vírus. Pelo menos, essa é a hipótese mais provável. 

Explico. Nos testes realizados na Ásia, verificou-se um aumento nos casos de hospitalização e dengue severa entre crianças de dois e cinco anos que tinham sido vacinadas. Então, acreditaram que a idade favorecia o aparecimento de casos graves, mas os pesquisadores fizeram modelagens matemáticas a partir dos testes e viram que a não infecção explicava melhor os resultados. 

Existem quatro variações (sorotipos) do vírus da dengue. Quem é infectado, fica imunizado apenas contra aquele determinado sorotipo, podendo contrair a doença se contaminado pelos outros três. E a segunda infecção tende a ser mais grave. Nas pesquisas com a vacina realizadas na América Latina e na Ásia, se verificou uma eficácia de 81,9% entre os participantes que já tinham tido dengue, enquanto a eficácia entre os que nunca tinham sido infectados foi de 52,5%. É como se a vacina agisse mais ampliando a imunidade pré existente de quem já teve dengue do que aumentando a proteção em quem nunca teve. 

Os pesquisadores indicam que o risco de casos graves não está presente apenas entre crianças de menos de 9 anos, mas para toda a população na qual a maioria das pessoas nunca teve contato com a dengue. Importa mais saber se a pessoa é soropositiva [se já foi infectada pelo vírus] do que saber a idade 

Isabel Rodríguez, pesquisadora da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore (EUA) 

Entre os que já pegaram a doença e que tomaram a vacina, a probabilidade de hospitalização e dengue grave é 90% menor em comparação com vacinados que nunca tiveram dengue, segundo o estudo. Áreas com menos dengue devem ter maior cuidado. 

 A OMS (Organização Mundial da Saúde) só recomenda a introdução da vacina em lugares em que 70% ou mais da população já teve dengue, e não indica a vacina onde esse número seja menor do que 50%. O raciocínio é simples. Em locais e grupos em que a grande maioria das pessoas já teve dengue, você provavelmente estará imunizando pessoas que já tiveram o vírus. Vale lembrar que muitas vezes o primeiro contágio por dengue é assintomático, e a pessoa não sabe se já teve a doença. Por isso, as estratégicas de vacinação levam em consideração os dados estatísticos, a chamada soroprevalência. "Em locais com soroprevalência entre 30% e 50%, o impacto da vacinação é limitado, mas positivo em termos gerais", diz Neil Ferguson, pesquisador do Imperial College, de Londres. Ele explica que o número de casos de dengue leve é reduzido nessas situações. Contudo, para o pesquisador, o benefício ocorre "à custa do aumento do risco [de dengue severa] em quem nunca teve dengue". Ferguson sugere que as consequências negativas da vacinação em grupos com baixa soroprevalência podem ser evitadas elevando-se a idade das crianças a serem vacinadas. Onde há, por exemplo, soroprevalência de 30%, "um aumento global nas hospitalizações por dengue pode ser evitado ao se vacinar crianças de 13 anos de idade, em vez de 9 anos de idade", afirma. 

Devo tomar a vacina? 

Segundo especialistas consultados pelo UOL, não há contra indicação no uso da Dengvaxia. As pesquisas mostram que em regiões onde a grande maioria da população já teve dengue, a vacina garante redução de hospitalizações de 80,3%. Assim, a decisão de tomar a vacina deve levar em consideração principalmente o local em que a pessoa mora ou planeja morar. A taxa que indica a exposição de uma população ao vírus da dengue chega a 90% em algumas cidades do Nordeste. Já no Sul do país, a incidência é mais baixa devido ao clima, menos propício à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Cidades brasileiras que participaram das pesquisas clínicas da vacina possuem soroprevalência de 74%. Há também um fator relacionado à idade. A chance de já ter sido infectado pela dengue é maior quanto mais velha é a pessoa. E vacinar crianças menores do que 9 anos é ilegal. Os especialistas lembram também que a eficácia da vacina é considerada baixa em comparação com outras vacinas (a da febre amarela protege em 90% dos casos, por exemplo). Por isso, o uso de uma vacina com eficácia que não é a ideal precisa ser acompanhado da garantia que ela está sendo inserida em regiões com as melhores características para maximizar seus benefícios. Para a OMS, fazer testes com todos os candidatos a tomarem a vacina em políticas de vacinação em massa acarretaria um aumento grande nos custos, o que poderia inviabilizar as campanhas. 

Para quem quer tomar a vacina em clínicas particulares, é possível realizar o teste. A vacina deve ser dada em três doses. No Brasil, o valor de cada dose varia entre R$ 132 e R$ 138. Nas clínicas, o preço é maior devido aos custos de aplicação e armazenamento. A vacina é eficaz onde há grande incidência de dengue "Segundo a Sanofi Pasteur, fabricante da vacina Dengvaxia, o estudo publicado na Science "confirmou os benefícios para a saúde pública da vacina em áreas com alta incidência da doença". A farmacêutica afirma que "OMS concluiu que a vacina deveria ser utilizada em ambientes endêmicos, em população com idade de 9 anos ou mais, independentemente de sua exposição prévia à dengue (condição sorológica)". A farmacêutica também afirma que "a vacina contra dengue não aumenta a gravidade dos casos ou hospitalizações" e que "a OMS não recomenda testes sorológicos antes da vacinação dentro da indicação". "A Sanofi Pasteur está alinhada com a recomendação da OMS", diz a empresa. Por fim, a Sanofi diz que "a vacina é indicada para quem teve e quem não teve dengue, sendo a eficácia superior em quem já teve a doença, alcançando o índice de 82%". "Não observamos aumento de dengue grave e hospitalizações em 29 mil indivíduos vacinados com a vacina contra dengue da Sanofi Pasteur. Observamos a segurança desta vacina em soropositivos e soronegativos, portanto, não consideramos um fator limitante à vacinação." 

Veja os estudos publicados nas revistas Science (http://science.sciencemag.org/content/353/6303/1033) e Lancet (http://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(16)30168- 2/abstract). Veja tam

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Especialista do INI/FIOCRUZ esclarece sobre chikungunya

Em entrevista, especialista do INI/Fiocruz esclarece sobre chikungunya

Antonio Fuchs e Juana Portugal
O Chikungunya é uma doença transmitida pelo Aedes aegypti, assim como a Dengue ou a Zika, identificada no Brasil em 2014. Em recente seminário realizado no INI, especialistas divulgaram que é grande a probabilidade de uma epidemia no país em 2017. Além de provocar febre alta e dores musculares, o paciente com Chikungunya apresenta, em geral, dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos, que podem até incapacitar a pessoa. Um diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento.
Confira, a seguir, a entrevista onde o reumatologista do INI, Roberto Fiszman, esclarece o que é o Chikungunya, seus sintomas e tratamento.
Nós teremos uma epidemia de Chikungunya em 2017?
Roberto Fiszman: Nós temos a possibilidade de uma forte epidemia no verão de 2017 devido às características deste vírus e pelas condições que nosso país oferece para isso. Considerando o histórico de altas taxas de ataque de Chikungunya em populações vulneráveis, como é a nossa, existe esse risco. Pode não acontecer, mas é possível.
O que é a “taxa de ataque”?
Roberto Fiszman: A taxa de ataque é o número de pessoas que são afetadas numa determinada população exposta a um agente, em um determinado período de tempo. Diferentes organismos têm diferentes taxas de ataque. O Chikungunya possui uma taxa de ataque elevadíssima, afetando entre 20 e 60% da população.
Considerando seu histórico, essa primeira onda que passou no Brasil pode ter sido mais leve no Rio de Janeiro, dentro do que se espera do comportamento do vírus, por isso dizemos que existe o risco de uma epidemia em breve.
A história do vírus começa no continente africano há muitos séculos. As pessoas que para lá viajaram e se infectaram, acabaram levando o vírus para outros lugares em condições favoráveis de transmissão. A partir da década de 50 começam a aparecer relatos de surtos e epidemias na África e Ásia, em especial na Índia, onde ocorreram epidemias em 2005 e 2006. De 2013 em diante houve uma expansão ainda maior. A cepa asiática do Chikungunya chegou via América Central e de lá para o norte do Brasil (2014). A cepa africana chegou em nosso país por Feira de Santana, na Bahia.
Qual é a previsão de número de casos para o Rio de Janeiro?
Roberto Fiszman: Se dissermos que o Chikungunya vai ter uma taxa de ataque de 20% na nossa cidade, considerando que temos seis milhões de habitantes, são 1.2 milhões de pessoas com o vírus. É um número muito grande para uma doença muito agressiva.
Essa estimativa se deve à vulnerabilidade da população a um novo vírus?
Roberto Fiszman: Sim, essa é uma questão relevante e sempre acontece. A pandemia de gripe ocorreu porque era um vírus novo e o mesmo aconteceu na Zika. Nesse sentido, o Chikungunya é outro vírus novo, mas ele tem uma característica mais agressiva em relação ao número de pessoas que consegue atingir em uma determinada população.
O Chikungunya é mais grave que a dengue?
Roberto Fiszman: Dengue também é muito ruim e é importante ressaltar que sempre vamos abordar o paciente clinicamente, na sala de emergência, como se ele tivesse dengue. Essa é a regra.
Na ausência de um laboratório na ponta, capaz de dar uma resposta imediata, a ordem é tratar como dengue, porque sua linha de cuidado já é de conhecimento de todas as equipes de saúde. Quem estiver bem clinicamente receberá orientações e medicamentos para controle dos sintomas e explicações quanto aos sinais de alarme. Esses sinais de alarme são iguais para todas essas doenças (Dengue, Zika e Chikungunya): vômito e/ou diarreia, impossibilidade de hidratar-se e/ou nutrir-se adequadamente, dores abdominais, petéquias (pequenos pontos vermelhos no corpo - na pele ou mucosas, causados por uma pequena hemorragia de vasos sanguíneos) ou sangramento. Um quadro clínico geral em piora constante também é considerado um sinal de alerta.
Temos que olhar para a pessoa doente, procurar sinais de alerta e cuidar para que sua saúde imediata se restabeleça. Depois da fase aguda, aí sim, teremos condições de avaliar o que está acontecendo e discutir um novo plano terapêutico para o paciente.
Como é feito hoje o diagnóstico de Chikungunya quais são os principais sintomas?
Roberto Fiszman: O Chikungunya é tipicamente uma doença febril aguda acompanhada de artrite, exantema (aparecimento de erupções cutâneas vermelhas em uma região específica ou por todo o corpo causadas por infecções ou efeito colateral de medicamentos) e muita dor. No entanto, as apresentações clínicas têm grande variação. A pessoa pode ficar doente de Chikungunya de uma forma totalmente igual ao da Dengue. A manifestação clínica não é suficiente para a gente afirmar que doença ela vai ter de primeira. Em geral, o médico analisa os sintomas comuns de cefaleia, mialgia (dor muscular), etc. Isso entrou em nossa cultura. A gente sabe os sintomas da Dengue, só que podem ser também da Zika ou do Chikungunya.
O Chikungunya possui algumas questões características. A proporção de pessoas assintomáticas, quando infectadas, é baixa, menos de vinte por cento, comparando com Zika que pode ter 80% de casos assintomáticos. Vamos suspeitar do Chikungunya de imediato em quem tiver artrite, porque a grande diferença dele para as outras arboviroses é essa.
O Chikungunya pode comprometer todas as articulações, sejam pequenas ou grandes, podendo acometer a coluna vertebral também. É importante destacas que as articulações previamente danificadas têm maior chance de dano viral. Pessoas com história de LER (Lesões por Esforço Repetitivo), tendinites de repetição, síndrome do túnel do carpo, também podem ser afetadas.
Após consultar o médico é necessário fazer um exame laboratorial?
Roberto Fiszman: Essa foi uma das questões abordadas no Seminário do INI, em 16 de agosto. Não temos, no país, laboratórios suficientes para atender a demanda de exames. A rede privada dispõe de laboratórios para isso, mas também não será capaz de suprir toda a necessidade.
Clinicamente falando, a pessoa pode fazer o exame de sangue em até cinco ou sete dias, que é o isolamento através de Polymerase Chain Reaction(PCR), que detecta o vírus com precisão molecular. Existe também a sorologia para o vírus, que é feita após o tempo do PCR. O tempo de fazer o PCR é quando o vírus está no sangue. Depois que o vírus não está no sangue é que fazemos a sorologia. Uma questão é que a sorologia não possui uma boa acurácia.
Os laboratórios de saúde pública não estão preparados para lidar com um volume tão grande de amostras, em especial quando alguma incorporação tecnológica é necessária.
Quais são as dificuldades tecnológicas no uso da sorologia?
Roberto Fiszman: São testes novos e precisam ser validados com a nossa população. Esse é um trabalho em que se propõe um desenho específico para uma comparação entre os resultados do padrão ouro (PCR) e a sorologia.
A validação pressupõe encontrar uma população com Zika, Chikungunya e Dengue, aplicar o PCR, que é o padrão, e em seguida a sorologia. O PCR e a sorologia precisam apresentar a mesma informação. Atualmente a sorologia ainda é imprecisa.
Quanto tempo dura a fase aguda do Chikungunya?
Roberto Fiszman: A fase aguda da doença dura de alguns dias a algumas semanas. Nosso problema é a fase crônica, que começa na sexta semana, porque quem está livre da artrite até esse momento ficará sem artrite. Pode haver alguma variação nesse tempo de acordo com cada indivíduo. Os sintomas podem durar seis meses, um ano, dois ou mais. Muitas coisas ainda precisam ser esclarecidas nessa doença.
Como é feito o tratamento?
Roberto Fiszman: O tratamento da fase aguda é feito com controle dos sintomas, sem anti-inflamatório, nem corticoide. É muito importante que o cuidado seja baseado no que está acontecendo com quem está doente, porque existem determinadas pessoas que não devem tomar tipos específicos de medicamentos. O tratamento deve ser prescrito com base na história clínica do paciente. A partir da fase crônica temos três alternativas gerais: anti-inflamatórios não-hormonais (AINH), corticoides ou metotrexato (medicamento utilizado no tratamento de artrites reumatoides).
Essa é a recomendação padrão para tratamento de Chikungunya?
Roberto Fiszman: uma das mensagens do Seminário sobre Chikungunya, transmitida pela Vice-Diretora de Qualidade e Informação do INI, Marilia Santini, foi a necessidade de se fazer estudos sobre o uso da medicação, que é uma coisa que não temos. Por exemplo, o uso de corticoides na fase aguda da doença não é recomendado. Em Feira de Santana, na Bahia, corticoides foram ministrados extensivamente na fase aguda, sem controle, em doentes com Chikungunya. Um estudo de caso controle serviria para entendermos melhor isso e assim poder propor um ensaio clínico. Faltam, com relação ao Chikungunya, um melhor diagnóstico e uma melhor capacitação profissional para enfrentarmos a doença.
Pessoalmente, discordo das definições e das práticas que têm sido feitas com relação ao Chikungunya. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) consideram a doença como crônica após três meses. Na minha experiência, seis semanas são suficientes para dizer que ela é crônica. O argumento da OMS e do MS é que o tratamento não precisa ser tão agressivo para tratar algo com essa duração. O meu argumento é outro: meses nessas condições impactam muito a vida do paciente. Alguém que trabalha, por exemplo, e tem Chikungunya, precisa parar. É um impacto muito grande na saúde mental, física e laboral.
O Chikungunya deixa alguma sequela?
Roberto Fiszman: Em geral, não. No entanto, como acomete articulações já fragilizadas, pode piorar a situação do paciente. Existem casos de neurite grave e incapacitante (lesão inflamatória ou degenerativa dos nervos). Foram descritos, mais raramente, casos de miocardite, mielite, meningite, hemorragia, entre outros. Algo que chamou à atenção é que estamos observando casos graves em crianças, o que não esperávamos que ocorresse.
Finalmente, muitos ficam deprimidos, aparecem com fibromialgia, perdem o emprego e têm dificuldades depois. É uma doença com uma carga psicossocial muito alta.
Mas a previsão é de que essa onda de Chikungunya diminua?
Roberto Fiszman: Teoricamente sim, isso vai amenizar um dia. Mas não é o que a gente espera de imediato por conta do histórico do vírus e sua alta taxa de ataque.
Frente a esse possível surto, o que a população deve fazer?
Roberto Fiszman: A prevenção do Chikungunya é a mesma para todas as arboviroses: combater o mosquito Aedes aegypti. É evidente que se a pessoa puder se proteger, usar repelentes, indo além de combater o mosquito, melhor para ela e para todos. Um detalhe de excepcional importância, que é esquecido com frequência, é passar repelente em quem está doente.
Além disso, precisamos muito integrar todos os recursos do nosso sistema de saúde para trabalhar da melhor forma possível, atuando na Atenção Primária, e temos que nos preparar para o pior, mesmo sabendo que isso não necessariamente irá acontecer. Devemos estar preparados para fazer o melhor pela população.
Ficar doente de Chikungunya não significa dizer que a pessoa ficará sem tratamento e não terá melhoras. Existe tratamento e existe melhora e isso é importante para que as pessoas não desanimem só de ouvir o diagnóstico. Existe tratamento e as pessoas, de fato, melhoram. O tratamento faz toda a diferença.
Existem muitos desafios no enfrentamento dessa doença. Primeiro, temos que admitir nossa ignorância em relação a esse agente. Tudo é novo. O segundo problema é com relação à estrutura que temos para diagnóstico, tratamento e organização do sistema. Então, quanto antes nós nos preocuparmos com isso e trabalharmos para integrar esses recursos, melhor.

Culex do Rio não são competentes para transmitir zika



Vinícius Ferreira e Cristiane Albuquerque (IOC/Fiocruz)

Pesquisa realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) aponta que os mosquitos Culex quinquefasciatus do Rio de Janeiro não possuem competência vetorial para transmitir as linhagens locais do vírus zika. A participação desta espécie (popularmente conhecida como pernilongo ou muriçoca) no ciclo de transmissão da doença é uma das hipóteses investigadas para explicar a rápida disseminação do vírus zika pelo país. Para comparação, também foram estudados mosquitos Aedes aegypti, constatando-se, em contraste, sua alta capacidade de transmissão do patógeno. Estas evidências científicas reforçam que as estratégias de controle de zika devem permanecer focadas no Aedes aegypti, principal vetor do vírus nas Américas. O Instituto Pasteur de Paris é parceiro do estudo, publicado na revista científica Plos Neglected Tropical Diseases.

Integrante do Laboratório analisa placas de cultura de células inoculadas com amostras de saliva de mosquitos Aedes aegypti (superior) e Culex quinquefasciatus (inferior). Enquanto a placa superior evidencia a destruição das células pelo vírus Zika, na placa inferior não houve dano (foto: Vinícius Ferreira)

De janeiro a março de 2016, o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC coletou ovos e larvas de Culex quinquefasciatus em quatro bairros da cidade do Rio de Janeiro: Manguinhos e Triagem, na Zona Norte, Jacarepaguá, na Zona Oeste, e Copacabana, na Zona Sul. Os ovos e larvas foram levados para o laboratório e, quando atingiram a fase de mosquitos adultos, foram separados em gaiolas. Em seguida, foram alimentados com sangue infectado com o vírus zika. Para isso, foram usadas duas linhagens locais do vírus, isoladas, em janeiro, pelo Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, a partir de amostras de pacientes do Rio de Janeiro. “Utilizamos mosquitos coletados diretamente em campo e linhagens do vírus circulantes na cidade na mesma época para que o resultado pudesse ser o mais fiel possível à realidade do Rio de Janeiro”, explica Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e coordenador do estudo.
Metodologia
Cerca de 30 mosquitos de cada gaiola foram analisados aos 7, aos 14 e aos 21 dias após a alimentação com sangue infectado. Foram testadas as seguintes partes do corpo: abdômen/tórax (onde estão localizados o estômago, onde o sangue se aloja logo após a alimentação, e as glândulas salivares do mosquito), cabeça (para verificar se ocorreu disseminação do vírus no corpo do mosquito depois da ingestão) e saliva (para verificar a possibilidade de transmissão do vírus durante a picada).
As amostras de abdômen/tórax e cabeça foram analisadas por meio de duas técnicas: RT-PCR em tempo real e a inoculação em cultura de células Vero (derivadas de rim de macacos), um método amplamente usado em estudos sobre atividade viral no caso da família dos flavivírus, à qual pertencem os vírus zika e dengue. Enquanto a técnica de RT-PCR em tempo real é capaz de detectar e quantificar o material genético do vírus, a metodologia de análise em células Vero é recomendada para identificar se o vírus está ativo (capaz de causar infecção em vertebrados). Em relação às amostras de saliva, foi usada apenas a técnica de inoculação em células Vero, uma vez que o baixo volume de saliva expelida pelo vetor não permitiria a aplicação de uma segunda técnica.

Em detalhe, placas com amostras de saliva de mosquitos 'Aedes aegypti' (direita) e 'Culex quinquefasciatus' (esquerda) inoculadas em células Vero. Enquanto a placa da direita evidencia a destruição das células Vero pelo vírus zika proveniente de Aedes, na placa da esquerda não há demonstração de infecção viral (foto: Josué Damacena)
 
Resultados 
Foram mais de mil amostras analisadas, referentes a 392 mosquitos. Somente em dois exemplares de mosquitos Culex quinquefasciatus, provenientes dos bairros de Triagem e Manguinhos, foi detectada infecção inicial no abdômen/tórax, no período de 14 dias após a alimentação com sague infectado, e nenhuma partícula viral foi identificada na cabeça e nem na saliva desses mesmos mosquitos. “O achado indica que o vírus zika não consegue se disseminar completamente pelo corpo do Culex quinquefasciatus. Logo, os dados mostram que o inseto não é capaz de transmitir o patógeno, uma vez que não há presença de partículas infectantes do vírus na saliva que possam ser expelidas no momento da picada e infectar um ser humano”, explica Lourenço.
Para uma análise comparativa, os mesmos protocolos foram usados para testar mosquitos Aedes aegypti também do Rio de Janeiro, provenientes dos bairros da Urca, na Zona Sul, e de Paquetá, ilha situada na Baía de Guanabara. Os resultados foram completamente distintos: enquanto as taxas de infecção no abdômen/tórax entre os Culex quinquefasciatus foram mínimas (apenas dois exemplares, após 14 dias de alimentação com sangue infectado), altos índices de infecção no abdômen/tórax foram verificados entre 85% a 97% dos Aedes aegypti testados após 14 e 21 dias da alimentação com sangue infectado, independentemente da linhagem do vírus zika usada no experimento. “Chegamos a detectar Aedes que em apenas sete dias após a alimentação já apresentavam infecção no abdômen/tórax”, enfatiza Ricardo. Se, nos Culex quinquefasciatus, não foram observadas partículas virais na saliva em nenhum período de tempo após a alimentação com sangue infectado, mais de 90% dos Aedes apresentaram vírus ativo na saliva 14 dias após a alimentação.
“Pouco é sabido sobre o vírus zika e sua interação com o organismo do mosquito. É possível que a combinação entre as variações genéticas dos vírus e as variações genéticas dos mosquitos, ao longo de sua distribuição territorial, impacte na competência para a transmissão. O que podemos dizer é que, com base em amostras representativas tanto para os mosquitos quanto para o vírus zika, no Rio de Janeiro, os resultados, até o momento, apontam que o foco para o controle da doença, no Brasil e em áreas endêmicas nas Américas, deve permanecer na eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti”, avalia o pesquisador.
Parceira do estudo, a pesquisadora Anna-Bella Failloux, chefe da unidade de Arboviroses e Insetos Vetores do Instituto Pasteur de Paris, ressalta a importância do resultado. “O trabalho em conjunto com a equipe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários está nos permitindo, mais uma vez, contribuir diante de uma emergência de saúde mundial. Essa colaboração ocorre no contexto da rede internacional dos Institutos Pasteur, que conta com 33 unidades em diversos países e da qual o Instituto Oswaldo Cruz e a Fiocruz fazem parte”, acrescenta a cientista.
Inseto vetor
Para determinar que a transmissão de uma doença é realizada por uma determinada espécie de inseto vetor é necessário realizar duas constatações. Além de comprovar em laboratório que este vetor é capaz de transmitir o vírus, por meio de testes que avaliam a capacidade de transmissão, é necessário localizar na natureza exemplares desta espécie que estejam infectados com o vírus (o que é chamada de infecção natural). Há mais de um ano, a equipe liderada por Lourenço coleta mosquitos em localidades onde foram identificados casos de zika, no Estado do Rio de Janeiro. Dos mais de mil mosquitos adultos capturados, cerca da metade era da espécie Aedes aegypti e a outra de Culex quinquefasciatus.
A partir desse trabalho, um resultado inédito foi divulgado em maio de 2016, quando, pela primeira vez no Brasil e na América do Sul, mosquitos Aedes aegypti naturalmente infectados com o vírus zika foram identificados. Por meio da técnica de RT-PCR em tempo real foi possível identificar a presença do material genético do vírus zika. Quando comparado com amostras de vírus circulantes em humanos no Rio de Janeiro, foi constatada similaridade genética superior a 99%. Nenhum mosquito Culex quinquefasciatus foi encontrado com infecção natural do vírus zika ao longo das coletas realizadas até o momento. “Este é um trabalho antigo, que realizamos há mais de uma década, incialmente com foco em dengue, e, mais recentemente, ampliado para zika e chikungunya”, diz Lourenço, acrescentando que as coletas continuam.
Outros estudos sobre o Culex
A capacidade de determinado mosquito vetor para transmitir um agente patogênico pode variar de acordo com combinações específicas da linhagem viral e do genótipo do inseto. No caso do vírus zika, diversas iniciativas estão empenhadas em investigar esta associação, considerando mosquitos de diferentes regiões e vírus que circularam em locais e momentos distintos.
Estudo realizado por pesquisadores na Fiocruz Pernambuco, divulgado em julho, detectou a presença natural do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus coletados na cidade do Recife. O mesmo grupo anunciou que, durante experimentos de competência vetorial realizados em laboratório, a partir do terceiro dia após a alimentação artificial dos mosquitos, a presença do vírus foi verificada nas glândulas salivares de mosquitos Culex quinquefasciatus, usando-se a técnica de microscopia eletrônica. Também foi observada, pela técnica de RT-PCR quantitativa, a presença do vírus na saliva expelida pelos mosquitos infectados. No estudo de infecção laboratorial, os mosquitos foram infectados oralmente com a linhagem ZIKU BRPE243/2015 do vírus Zika. Estudos adicionais estão em andamento.
No México, após ampla varredura, pesquisadores da Universidade do Texas Medical Branch, dos Estados Unidos, identificaram somente mosquitos Aedes aegypti naturalmente infectados com o vírus zika. Nenhum mosquito Culex quinquefasciatus foi encontrado naturalmente infectado. O artigo foi publicado no The Journal of Infectious Diseases. Já especialistas da Universidade de Wisconsin, também dos Estados Unidos, constataram, após testes laboratoriais realizados com a linhagem asiática do zika, que mosquitos da espécie Culex pipiens são incapazes de transmitir o vírus, ao passo que Aedes aegypti testados simultaneamente foram competentes para transmitir o vírus. A pesquisa foi publicada no periódico Emerging Infectious Diseases. Ambos os achados foram divulgados em julho.
Em agosto, outro grupo de especialistas da Universidade do Texas Medical Branch divulgou estudo mostrando que mosquitos Aedes aegypti apresentaram eficiência vetorial para transmissão do vírus, diferentemente dos insetos da espécie Culex quinquefasciatus, que foram incapazes de transmitir. No processo de infecção experimental, foram usadas linhagens do vírus zika isoladas em 2010, no Camboja. Os dados foram disponibilizados no site da instituição.
Pesquisadores da Kansas University testaram a capacidade de transmissão de zika por mosquitos Culex quinquefasciatus e Culex pipiens coletados nas localidades de Vero Beach, na Flórida, de Anderson, na Califórnia, e de Ewing, em Nova Jersey, todas nos Estados Unidos. Os mosquitos foram alimentados com sangue infectado com a linhagem asiática do vírus zika, isolado em 2015, de um paciente de Porto Rico. No artigo, publicado em agosto na revista científica Vector-Borne and Zoonotic Diseases, foi demonstrado que a probabilidade de transmissão do vírus pelas espécies é baixa. Embora a infecção e disseminação do zika tenha sido detectada nas três populações de mosquitos imediatamente após a alimentação, a detecção viral não foi confirmada pelo método de RT-PCR em nenhuma das populações aos 7 e aos 14 dias após a infecção, indicando que o patógeno não chegou às glândulas salivares.
Em estudo publicado em setembro no periódico europeu Eurosurveillance, pesquisadores do Instituto Pasteur em colaboração com o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC, constataram que mosquitos Culex quinquefasciatus, da Califórnia, nos Estados Unidos, e Culex pipiens, de Tabarka, na Tunísia, não são competentes para transmitir a linhagem asiática do vírus zika, a mesma que circula no Brasil. A conclusão veio após dois diferentes testes. Além da alimentação oral com sangue infectado com o vírus zika isolado em 2014, na Nova Caledônia, os especialistas inocularam uma alta taxa de vírus diretamente no tórax dos mosquitos. Mesmo com a infecção forçada, de forma a ‘pular’ a passagem do vírus pelo estômago, não foi observada a presença de vírus infectante na saliva expelida pelos mosquitos. Logo, não houve eficiência para transmissão.
Na mesma edição da Eurosurveillance, uma pesquisa realizada na Itália apontou que mosquitos Culex pipiens coletados no país não são capazes de transmitir o vírus zika. De forma comparativa, a competência vetorial dos mosquitos Aedes aegypti – coletados no México e mantidos em uma colônia em laboratório – foi confirmada no trabalho. Os mosquitos foram alimentados com sangue infectado por vírus zika da linhagem asiática, a mesma que circula nas Américas. Em análises realizadas três, sete, 10, 14, 20 e 24 dias após a alimentação, nenhum mosquito Culex pipiensapresentou vírus disseminado pelo organismo ou na saliva. Já entre mosquitos Aedes aegypti, a disseminação do zika no organismo e a presença de partículas virais na saliva foram detectadas a partir de sete dias após a infecção. A investigação foi realizada por cientistas do Istituto Superiore di Sanità e do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Filme RATOPOLIS em edição resumida

Esse filme é uma produção Canadense que fez muito sucesso na sua época, mas ainda não foi superado. O longa tem uma hora de duração, porém neste curta foram extraídas as cenas mais importantes. A dublagem foi patrocinada pela ABC EXPURGO nos anos 80 e foi um material muito usado nos treinamentos internos e externos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Existe interação entre o virus Zica e perda auditiva em bebês.

Pesquisa revela relação entre o vírus Zika e perda auditiva em bebês
O resultado do estudo foi encaminhado ao Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Estadual da Saúde de Pernambuco
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Estudo feito por pesquisadores de Pernambuco e publicado no último dia 30 na revista científica Morbidity and Mortality Weekly Report, vinculada ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças, maior órgão de doenças infecciosas dos Estados Unidos, revela que, dos 70 bebês avaliados com confirmação da síndrome pelo vírus Zika congênito, houve ocorrência de perda auditiva em 6% dessas crianças.
 
“Essa prevalência de perda auditiva de 6% é uma ocorrência maior do que na população geral”, disse ontem (1º) à Agência Brasil a coordenadora da pesquisa, Mariana Leal, chefe do serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Estadual Agamenon Magalhães (HAM) e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em uma população geral, a prevalência estimada é de uma a duas crianças em mil nascidas vivas.
 
Mariana Leal avaliou que essa é uma ocorrência bem maior e coloca a infecção congênita pelo vírus Zika como um fator de risco para a perda auditiva. “É mais uma afecção que pode acometer esses bebês”.
 
O estudo envolveu pesquisadores do HAM, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, do Hospital Barão de Lucena, da UFPE e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, da Inglaterra. Os pesquisadores vão acompanhar as 70 crianças até os cinco anos de idade.
 
“Porque, em analogia com outras doenças congênitas, essa perda auditiva de repente pode ser tardia também. Pode não ocorrer agora, mas pode surgir posteriormente. Por isso, essas crianças devem ser acompanhadas ainda até a idade de cinco anos, para a gente avaliar essa potencialidade de causar algum dano auditivo mais à frente”, explicou a médica. Mesmo os bebês que não tiveram alteração nessa primeira avaliação continuarão sendo acompanhados, devido ao risco de a afecção poder aparecer de forma tardia, reforçou.
 
Os exames de audição foram efetuados em sua totalidade no Hospital Agamenon Magalhães, considerado referência em otorrinolaringologia no estado de Pernambuco e também referência para pacientes com microcefalia para questões relacionadas a essa especialidade médica que se dedica ao estudo e tratamento das doenças que acometem a orelha, o nariz e a garganta. A instituição pretende, mais adiante, em parceria com a UFPE, dar continuidade à pesquisa, envolvendo um número maior de crianças.
 
O resultado do estudo foi encaminhado ao Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Estadual da Saúde de Pernambuco. Mariana Leal indicou a importância de o tema ser levado ao conhecimento do órgão federal, “porque existe aí desdobramento a respeito dessa questão que envolve o serviço público, a assistência à saúde”.
 
Segundo  Mariana Leal, o acompanhamento das crianças é fundamental para que haja diagnóstico precoce e, com isso, se tratar também precocemente o problema, evitando repercussões de uma perda auditiva não tratada, que são alterações envolvendo linguagem. “O mais preocupante da perda auditiva é que você consiga diagnosticar precocemente e tratar precocemente”, diz Marina.
 
Alana Gandra