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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

DOCUMENTAÇÃO - UM CASO SÉRIO - parte 2


DOCUMENTAÇÃO – UM CASO SÉRIO II



A contratação de uma empresa especializada em controle de pragas requer alguns cuidados do ponto de vista legal. Este segundo artigo da série aborda um novo tema – o responsável técnico.

A exemplo do que ocorria com o ramo de farmácias, o Responsável Técnico das empresas de controle de pragas urbanas durante muitos anos foi um respeitável senhor fantasma.

Devido às falhas no sistema de fiscalização do setor (poucos profissionais, ausência de sistema integrado, acúmulo de serviços nas repartições) este problema era conhecido, porém pouco perseguido. Muitas vezes, na chegada de algum fiscal, o responsável técnico era chamado às pressas ou "estava em visita externa".

Ser RT de uma empresa considerando as legislações federal e estadual (SP) significa, nos dias de hoje, abraçar uma série de atividades dentro da empresa que não se limitam a unicamente assinar certificados ou a documentação de renovação do Alvará anual.

As legislações referidas (Resolução nº 18 da Anvisa e Portaria nº 9 do CVS-SP) esclarecem em primeiro lugar uma dúvida que ainda paira no ar: que formação deve ter o RT? 

Por muitos anos se considerava o RT ideal o químico ou farmacêutico. Com o passar dos anos e com a chegada destas normas a dúvida ficou esclarecida. Tanto a Norma Federal quanto a Estadual estabelecem que o RT poderá ser um biólogo, farmacêutico, químico, engenheiro químico, engenheiro agrônomo, engenheiro florestal, médico veterinário. A Portaria CVS 9 do Estado de São Paulo vai um pouco mais longe destacando que o RT poderá ser um outro profissional que possua nas atribuições do conselho de classe respectivo, competência para exercer tal função.

Apesar disso, ainda é possível ler alguns editais em que existe uma exigência de um profissional de uma determinada categoria, como a dos químicos, por exemplo. Muito provavelmente isso seja atribuído à falta de informação, já que a legislação abriu o leque permitindo o ingresso de outros profissionais o que, inclusive, é mais justo e mais coerente, e impede a formação de grupos de interesses corporativos.

O aspecto seguinte a considerar está relacionado com as atividades do profissional dentro da empresa. De acordo com a CVS 9 o RT  "responde pela aquisição, utilização e controle dos produtos desinfestantes domissanitários utilizados”.

O RT necessita acompanhar primeiramente o processo de compra, assumindo as responsabilidades quanto à seleção dos princípios ativos e formulações utilizadas nos serviços. É ele quem deve decidir quanto a uma nova inclusão de uma formulação nos produtos de linha utilizados pela empresa, pois cabe a ele analisar os aspectos toxicológicos e de resultados de cada formulação.

Cabe a ele determinar em que circunstâncias cada formulação será utilizada, de acordo com as orientações e políticas da empresa.

O RT é também responsável pela entrada e saída dos produtos comprados e consumidos e, portanto, ele deve estabelecer uma rotina rígida de tal forma que seja possível rastrear cada lote de cada formulação na eventualidade de uma não conformidade ou de algum problema detectado na prestação dos serviços.

Concluindo, o Responsável Técnico deixou de ser uma mera eminência parda e passou a partir da vigência das legislações citadas a ser um importante, se não, primordial elemento dentro de uma organização de controle de pragas. E os clientes devem estar cientes disso e aproveitar ao máximo o seu conhecimento e orientação.

Lucia Schuller

Bióloga e Mestre em Saúde Pública

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

INSETOS EM RODAPÉS? ISSO EXISTE?



PRAGAS NÃO VIVEM EM RODAPÉS. 

VOCÊ AINDA COMPRA SERVIÇOS QUE INCLUEM UNICAMENTE O CHAMADO CORDÃO NO RODAPÉ? 

NÃO HÁ PRAGAS EM RODAPÉ A NÃO SER CUPINS.

ESSE TRABALHO É MAIS FÁCIL, BARATINHO E  "SATISFAZ" O CLIENTE. 

O CLIENTE ACHA QUE ESTÁ COMPRANDO UM SERVIÇO MAS ESTÁ MESMO É JOGANDO DINHEIRO FORA. 

VEJA A EXPLICAÇÃO DESSE ASSUNTO ABAIXO


Um lembrete da ABC EXPURGO. Aplicar inseticida em rodapé é muito discutível. No rodapé não há bichos ou pragas, a não ser cupins, porém esses não são combatidos com esse tipo de aplicação. 

Essa informação é importante pois trata-se de uma prática muito antiga que fazia sentido quando os produtos aplicados eram os clorados, que deixavam residuais prolongados e esperava-se assim, que os insetos ao passar pelos cantos, adquirissem partículas do inseticida. Os clorados foram abolidos no Brasil na década de 80 e , portanto, não há o menor sentido em usar essa "técnica". Os inseticidas modernos todos têm baixo residual.

Sempre que usamos um inseticida temos que ter em mente que praga queremos combater e onde ela se esconde. Essa idéia de que o inseto passa por cima do inseticida e morre é uma falácia e as grandes empresas usam esse argumento nos seus anúncios por que são poderosas e tudo podem.Ninguém contesta. 

Mas a investigação científica e as próprias empresas sabem que as drogas inseticidas usadas hoje e suas formulações são sensíveis à luz, sabões, limpeza, etc e essa história de baratinha passar e cair de perninha para cima só acontece em laboratório com condições controladas. Na vida real os resultados são muito diferentes. É uma pena que essa informação é pouco difundida e os consumidores acabam comprando gato por lebre.

Portanto, na hora em que for preciso adquirir um serviço de aplicação de inseticidas é bom perguntar o porque da aplicação em rodapés e por que não aplicar nos focos onde os insetos estão localizados.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Receita de Repelente de Mosquitos

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

JOGOS E MATERIAIS EDUCATIVOS FEITOS PELA FIOCRUZ


Jogos e materiais educativos

Diversas unidades da Fiocruz desenvolvem atividades e materiais interativos e educativos voltados a estudantes, pesquisadores e profissionais de saúde. Entre os produtos estão livros, boletins, jogos, projetos audiovisuais e multimídias.

Com enfoque na ciência e na saúde, são elaborados como recursos educativos lúdicos e dinâmicos. A ideia é partir da curiosidade, do questionamento e da exploração das experiências, para ampliar a sensação de realização pessoal pelo aprendizado.

Os laboratórios de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos e de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) desenvolvem uma série de projetos de educação em saúde. Integram tais iniciativas alguns projetos audiovisuais, multimídias, jogos de tabuleiro e eletrônicos, boletins informativos, entre outros. Disponíveis para download no site do IOC – no link “Educação em saúde” - os materiais são voltados para o desenvolvimento e avaliação de novos recursos educativos.

Museu da Vida também participa ativamente dessa produção. O Invivo, misto de museu virtual e revista de divulgação científica, é um espaço on-line de caráter interativo. Outra ação é a rádio Electron, que mantém um bate-papo sobre temas de ciência e tecnologia. Interessados em adquirir os materiais encontram mais informações no site do Museu.
Como parte da iniciativa, o projeto Vida e saúde no campo, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), disponibiliza diferentes materiais audiovisuais e impressos.  Exemplo disso é a criação do Jogo dos Amigos do Meio Ambiente (Jama), desenvolvido pela pesquisadora Rosane Curi. Essa proposta diverte e ensina jovens e adolescentes, com incentivos a reflexões sobre a relação meio ambiente, saúde, trabalho agrícola e agrotóxicos.

O jogo educativo-cooperativo está em formato impresso e foi distribuído gratuitamente, enquanto um estudo de recepção, com objetivo de obter avaliação em escolas no meio rural em diversos estados do Brasil. Foi enviado também aos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador e algumas unidades de saúde da família que atuam em áreas rurais.
Ainda parte do projeto Vida e saúde no campo, outros produtos, como vídeo, programa de rádio, músicas e livros de histórias foram distribuídos para 1.000 equipes de saúde da família atuantes em áreas rurais de todas as regiões do país.

Em congruência com as ações de educação em saúde, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) também produz materiais como livros, vídeos, e até mesmo um Dicionário de Educação Profissional em Saúde. Todos estão disponíveis no site da Escola, no link Publicações – Materiais educativos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

ABC Expurgo - DENGUE, ZICA, CHIKUNGUNYA - Dengue, Zica e Chikungunya

DOCUMENTAÇÃO: UM CASO SÉRIO Parte 1

AO CONTRATAR UMA EMPRESA DE CONTROLE DE PRAGAS EXISTEM ALGUNS PRÉ-REQUISITOS QUE TÊM SIDO DIVULGADOS NA MÍDIA CONSTANTEMENTE, MAS APESAR DISSO, ESSES DOCUMENTOS AINDA NÃO SÃO DEVIDAMENTE ANALISADOS PELAS EMPRESAS E PODEM GERAR FUTURAMENTE INESPERADAS SITUAÇÕES DESAGRADÁVEIS. 

Um caso clássico. A empresa X foi atendida por uma empresa que não colocou o número de seu registro no certificado de aplicação o que impossibilita uma investigação adequada no caso de uma não conformidade grave.
O número de registro da empresa junto à autoridade sanitária competente é um requisito primordial para a prestação desse serviço.

Em outra situação a empresa contratada lançou em seu certificado um número de registro de outro Estado que não pode ser aceito de forma alguma já que quem dá a autorização de funcionamento é o Município ou o Estado.
Estas e outras irregularidades são observadas no dia a dia e o esclarecimento e orientação de conformidade com a legislação pode evitar aborrecimentos.

A Licença de Funcionamento é concedida pela autoridade sanitária do Município (no caso de Vigilância estar municipalizada) ou pelo Estado. Não são válidas licenças de outros Estados ou de outros Municípios que não correspondam à sede da empresa que está sendo contratada.

Peçam sempre uma cópia atualizada da Licença de Funcionamento e verifiquem esse detalhe.





Alguns Municípios têm solicitado a Licença dos Veículos que transportam os produtos e os aplicadores.
Durante o processo de legalização da empresa controladora o Município ou o Estado exigem uma série de documentos; além do que a empresa passa por um processo de fiscalização inicial das atividades e é visitada anualmente.

Constam da Licença de Funcionamento informações que permitem ter uma visão mais clara da empresa. O nome e formação do Responsável Técnico são dados importantes para quem contrata esse serviço. O RT, de acordo com as novas resoluções e portarias tem funções destacadas na empresa e deve estar disponível o tempo todo para responder à questões técnicas internas e externas.

Desconfiem de empresas cujo RT nunca está presente!!!!

Exijam também uma cópia do Termo de Responsabilidade que é emitido pela mesma autoridade sanitária.
Segundo informações da propria Vigilância Sanitária a Licença de Funcionamento, assim como qualquer documento, pode ser falsificada. Por isso, verifique junto à autoridade sanitária que emitiu a Licença se o registro é real.
Atualmente a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo mantém um cadastro (SIVISA) atualizado de todas as empresas licenciadas e qualquer alteração ou não conformidade pode ser detectada pelo Sistema.
Verifique se a data da Licença está atualizada. Não valem Licenças do ano anterior. Nesse meio tempo, a empresa pode ter sido desautorizada a operar e o consumidor paga a conta. Há casos em que a autoridade fornece uma unica Licença e só renova anualmente mediante o pagamento das taxas. Nesse caso o consumidor deve exigir uma comprovação de que a empresa está legalizada que pode ser uma cópia do pagamento das taxas anuais ou uma declaração do próprio município.Isto é válido para os veículos de transporte, também.

Peça também um comprovante de "residência" da empresa controladora, que pode ser uma conta de luz ou de água. Assim, é possível checar os dados da empresa com os que constam no Alvará ou Licença. Caso esteja tudo OK existem ainda algumas etapas a serem vencidas que serão tratadas nas próximas edições. Se os leitores têm algum assunto que desejam seja discutido, podem enviar-nos uma mensagem.

Lucia Schuller
Bióloga e Mestre em Saúde Pública



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Visitando a ABC Expurgo

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Resumo da história de Peter Schuller, fundador da ABC Expurgo aos 7 anos de seu desencarne

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A vida das abelhas em poucos segundos

terça-feira, 8 de novembro de 2016

CONTROLE INTEGRADO DE PRAGAS E A POLÍTICA DE PREÇOS SUICIDA

CONTROLE INTEGRADO DE PRAGAS




Quem está no mercado há mais de vinte anos pelo menos deve facilmente comparar os serviços executados na época com os que são feitos hoje. Na ocasião o mercado estava menos exigente, não se falava quase em relatórios, a idéia de Controle Integrado de Pragas podia estar presente em muitos profissionais, porém elaborar constantes relatórios, monitorar serviços da forma como são feitos hoje em dia, nem pensar. O trabalho podia ser executado com honestidade, mas a simplicidade era muito maior.



Aos poucos foi aumentando a participação de empresas em Congressos Internacionais. A partir de 1994 as delegações que se dirigiam ao tradicional evento da National Pest Control Association nos Estados Unidos aumentavam a cada ano. Os profissionais queriam aprimorar-se, obter novos conhecimentos, ganhar novas experiências, melhorar a sua atuação no mercado. Os serviços evoluíram. Controlar pragas virou uma tarefa bem mais complexa, de análise de dados, de monitoramento de situações em campo. Hoje controlar pragas aproxima-se muito mais do científico do que há alguns anos atrás.

Concordamos então que as empresas de hoje não podem comparar-se às de então. Mas se assim o é, por que ainda praticamos a mesma política de preços destrutiva? Por que nossos preços não acompanharam a evolução técnica do mercado e não passaram a representar uma categoria profissional mais valorizada, consciente de que tecnicamente ela investiu e, portanto, merece ter um retorno justo de seu investimento?

É comum participarmos de concorrências via Internet para prestação de serviços em várias unidades fabris e governamentais e assusta  o recuo que os concorrentes mostram a cada lançamento, com reduções maiores do que 50% do preço. Para o mercado, uma atitude dessas é um sinal claro de alguns indícios: a empresa é desorganizada ou costuma manter uma grande “gordura” nos seus preços; ou ainda que a empresa deve estar precisando faturar e o faz por qualquer preço, o que também é uma prática suicida.

Muitas empresas têm se utilizado do recurso de redução de preços para entrar no mercado. Uma vez instaladas e com as necessidades de investimento aparecendo, elas acabam lançando mão de recursos, nem sempre ortodoxos, mas que contribuem para diminuir os seus custos. Os principais são a utilização de formulações e moléculas de segunda linha ou de procedência duvidosa, a mistura de raticidas com inertes para fazer render o material de isca, ou ainda através da utilização de produtos agrícolas, que têm um custo mais reduzido o que reduz o impacto na planilha de custos. O registro parcial da força de trabalho também é um recurso, apesar de ilegal, mas utilizado para reduzir custos.

Todas essas “estratégias” têm um limite de vida. O Brasil de hoje é muito diferente do Brasil de vinte anos atrás. O cliente está cada vez mais exigente, a informatização permite que as informações sejam melhor aproveitadas. A Vigilância Sanitária também está, lentamente é bem verdade, aprimorando o seu gerenciamento e o compartilhamento de informações a respeito das empresas prestadoras, o que vai ser uma realidade em muito pouco tempo.

Quem imaginaria que iríamos ter uma regulamentação federal para nossas empresas como a Resolução nº 18 de 2000, substituída pela Resolução RDC 52 e a CVS/SP nº 9 do Estado de São Paulo. Outras Unidades da Federação estão saindo em busca de suas próprias legislações, “apertando o cerco” sobre as empresas prestadoras de serviços para que elas cumpram à risca todos os ditames da lei. Isso naturalmente vai gerar custos fixos e variáveis que serão implacáveis na política de preços praticados ainda infelizmente, por muitas empresas neste país.

As Associações de Classe sempre falam nesse assunto, da importância do profissional manter os seus preços compatíveis com os reais custos sem extrapolar para cima ou para baixo. Não é a primeira vez em que ouço clientes comentarem que ficam abismados com a diferença de preços observados em concorrências, denotando uma clara fragilidade no setor, e denegrindo cada vez mais a nossa imagem profissional.

Em uma palestra proferida por um colega este chegou a dizer que percebe hoje, depois de alguns anos de profissão, que os preços baixos, fora da realidade, e que ele próprio praticou para poder ingressar no mercado, vão gradativamente eliminando um serviço que poderia ser promissor.

Não estou defendendo aqui que todo mundo saia por aí elevando os seus preços ao seu bel prazer, até por que o mercado e a concorrência por si regulam estas estratégias. Estou defendendo que cada um de nós tenha uma visão exata de custos e preveja em seus preços valores compatíveis para aprimoramento profissional, um trabalho que necessita ser feito por todos nós, já que o mercado está em contínua mudança e aprimoramento.

Hoje em dia não se aceitam mais profissionais sem um mínimo de educação técnica, para atender aos clientes. As conversas acontecem em um nível mais elevado, com discussões mais técnicas. O cliente de hoje não é mais “ignorante” a respeito do assunto controle de pragas. A Internet, as revistas especializadas e outros meios de comunicação provêem informações para todo mundo, sem exceção. Não cabe mais oferecer informações falsas, com tom de “alerta” no mau sentido com a pretensão de ganhar o contrato através do medo ou do susto. O cliente quer saber mais e isso nos força, obviamente, a buscar mais conhecimentos, a adquirir publicações, a estudar, a manter em nossa equipe pessoal mais qualificado para esse atendimento. E tudo isso tem um custo que precisa estar embutido no preço que ofertamos aos nossos clientes.

Um mercado que entende que nós profissionais estamos tão fragilizados como ainda aparentamos hoje tende a explorar a nossa mão de obra, solicitando intervenções não convencionadas ou aumentando áreas ao seu bel prazer, onerando nossos custos e nos ameaçando com aberturas de concorrências se nos negarmos. A contrapartida é que nos submetemos às condições impostas por que precisamos manter a empresa aberta, mas temos a clara consciência de que isso terá um fim, em que não poderemos mais nos manter com os ganhos atuais e vamos ser obrigados a reduzir a qualidade de nossos serviços.

Nós estamos cada vez nos nivelando aos Zé bombinhas que todos nós tanto execramos quando praticamos os mesmos preços que eles. As matérias primas continuam subindo de preço. A mão de obra também aumentou, pelo menos 10% ao ano, fora as bonificações. As taxas governamentais são cada vez mais pesadas e a exigência dos clientes nos impõe investimentos cada vez maiores em estrutura, programas de qualidade e até de buscar padronizações internacionais como a implantacão da ISO 9000 e ISO 14001.

No entanto, ainda observamos no mercado a mesma guerra competitiva de preços, com empresas ofertando valores que estão nitidamente fora da realidade, distorcendo o mercado e permitindo que os clientes criem uma déia errada das empresas prestadoras de serviços de controle de pragas.

Essa guerra precisa ter um fim, pois a continuarmos com essa política antevemos um futuro com redução de trabalho, com menos participação no mercado e esse não deve ser o nosso objetivo. Será que o nosso futuro será igual ao daquele “engenheiro que virou suco”, lembram-se dele? Nós seremos os “dedetizadores que viramos suco”?



Lucia Schuller


OBS.: Esse artigo foi publicado há alguns anos, quando a Vetores e Pragas retornou ao mercado. Com algumas modificações de texto, a idéia permanece a mesma. O mercado continua na luta dos preços sem enfatizar na importância deste profissional. 

OBS: Artigo republicado no site www.pragaseeventos.com.br

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Aplicativo Pergunte a bióloga no Google play

terça-feira, 1 de novembro de 2016

RATOS - AS SUPER CRIATURAS



           
Ratos são criaturas extraordinárias. Conseguiram conquistar um lugar no coração das crianças (e por que não nos adultos também?) encarnando personagens como Mickey, Supermouse (os mais velhos com certeza irão lembrar-se dele, Jerry ( aquele que contracena com o gato Tom) e ao mesmo tempo são temidos e odiados  como agentes destrutivos e contaminantes representando altos prejuízos econômicos para a indústria e uma fonte de doenças para a população.


Essa dualidade de papéis tem em comum qualidades inerentes à sua espécie que são sua extrema habilidade, adaptação, inteligência, perspicácia, desenvoltura em meio a todo e qualquer obstáculo.

Tal oponente tem desafiado os profissionais de controle de pragas numa luta sem fim para exterminá-los, bani-los do nosso cliente, impedir seu acesso a produtos manufaturados e garantir assim o nosso pão de cada dia.

Não sei como andam as estatísticas a respeito, mas, certamente, 50% de todos os serviços executados por uma empresa de controle de pragas estão relacionados ao controle de roedores. O mercado oferece há anos produtos raticidas com formulações adaptadas a todo tipo de situação, cujo objetivo seja o de competir com o que é oferecido para esses animais em seu ambiente urbano. Digo seu ambiente porque eles realmente costumam tomar conta do pedaço se não forem tomadas medidas muito sérias a respeito.

Sempre gostei muito do assunto roedores, sempre admirei essas criaturas tão destemidas. A forma como esses animais adentram nos ambientes ocupados por humanos é no mínimo ousada. Eles certamente confiam demais em suas habilidades de driblar nossas tentativas de eliminá-los.

A cada dia que passa aprendo um pouco mais sobre eles. Recentemente li um livro sobre a experiência de um repórter americano que passou um ano observando esses animais nos becos de Nova York e seus relatos são surpreendentes.

Controlar roedores só com raticidas, considero uma falácia, uma proeza inalcançável. Mesmo quando podíamos lidar com produtos altamente tóxicos como o 1080 (monofluoracetato de sódio), largamente utilizado nos anos 60 e 70 e até mais tarde de forma ilegal, os resultados podiam até ser espantosos no começo. Era possível coletar carrinhos de mão cheios de ratos mortos. No entanto, esses animais aprendiam rapidamente a evitar o que causava aquela matança e com certeza isso se deve a capacidade de aprendizado desta criatura extraordinária.

Durante esses anos de aprendizado na profissão algumas coisas ficaram claras para mim. Uma delas e talvez a mais importante é a relação direta entre o meio ambiente e a forma como o tratamos e as infestações de ratos. O rato nos segue, nos acompanha em nossas pegadas ecológicas e o lixo costuma ser o principal atrativo. Chego a pensar que ele calcula intuitivamente a quantidade de alimento que temos armazenado em função do lixo desprezado. Eles sabem claramente onde obter o alimento e recrutam outros ratos, usam seus poderes de comunicação ultrassônicos para espalhar a notícia para toda a comunidade murina.

A nossa luta está em fazer nosso cliente entender como essa relação é poderosa e nos ajudar nesse combate, por que sem o cliente, nada feito. É preciso colaboração. Não estou falando de casos simples como um camundongo que se esgueira por debaixo da porta. Falo de áreas de armazenagem de grande porte, em supermercados principalmente, onde eles reinam absolutos, e não há raticida, por mais poderoso que seja, capaz de acabar por completo com essa turba voraz.

E por isso devemos dar Graças a Deus aos ratos. Enquanto estivermos lutando para convencer nossos clientes a executar medidas preventivas de peso, que realmente funcionem e afastem os ratos dos ambientes, nós vamos continuar garantindo os nosso 50% de faturamento todos os meses.

Os ratos urbanos são a nossa garantia de mantermos nossas empresas abertas e funcionando por muitos anos ainda, a não ser que surja uma super solução exterminadora que acabe com a nossa alegria, o que, a meu ver, é muito pouco provável de acontecer.

E Viva os Ratos.


Lucia Schuller

Bióloga

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Aedes aegypti em close up

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Jornalista brasileira mostra Templo na India onde os ratos são venerados

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

CHIKUNGUNYA O PESADELO DESTE VERÃO 2016/2017

CEE-FIOCRUZ
Se no último verão, o país esteve às voltas com o enfrentamento da zika e da dengue, o verão de 2017 deverá trazer mais um desafio aos gestores, em nível municipal, estadual e nacional: a chicungunya. Nessa análise realizada para o blog do CEE-Fiocruz, o diretor da Fiocruz Mato Grosso do Sul, o médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, afirma que a doença atinge hoje todo o país e vem se alastrando de forma vertiginosa: dos 650 municípios com casos notificados em todo o ano de 2015, passou-se a 2.250, só até setembro de 2016, segundo dados do Ministério da Saúde.

“Temos que nos preparar para enfrentar nesse próximo verão um problema ainda maior do que imaginávamos”, diz Rivaldo. E de nada adiantam soluções que se requerem imediatas, como a pulverização de inseticidas em áreas urbanas, que só trazem danos à saúde e ao ambiente, como afirma. “Não tem milagre”, resume Rivaldo. “Estamos lidando com um passivo ambiental acumulado de 500 anos”.

Por Rivaldo Venâncio da Cunha
Do início do ano para cá, o cenário epidemiológico do país mostrou que estávamos, infelizmente, certos, ao consideramos, naquele momento, que tínhamos um problema sério, no que diz respeito a dengue, zika e chicungunya. É tão ou mais sério do que imaginávamos. Em relação à dengue temos notificados no Brasil cerca de 1,5 milhão de casos. É bem verdade que muitos desses casos notificados como dengue sejam provavelmente zika, chikungunya ou alguma outra doença circulando Brasil afora. Mas, de qualquer forma, a dengue com certeza continua ocorrendo em larga escala no Brasil.
Além disso, temos o constante e persistente crescimento da ameaça da zika, que se mostrou um problema complexo e nos indicou que também estávamos na linha de raciocínio correta, ao considerarmos não apenas a microcefalia, mas a zika congênita no espectro de consequências da infecção pelo vírus nas gestantes. Já no começo do ano chamávamos a atenção firmemente para a importância de se tratar a infecção do vírus zika, que atinge a mãe e a criança, como questão congênita, tendo-se na microcefalia, provavelmente, como uma das mais graves manifestações, mas não a mais frequente. Os estudos desenvolvidos ao longo desses meses têm reforçado essa observação, mostrando-nos uma quantidade grande de crianças nascendo com cérebro de tamanho normal, mas apresentando outras alterações decorrentes da infecção durante a gestação.
Quanto à chikungunya, no próximo verão, deverá vir a ser um problema tão ou mais grave, em abordagens diferentes, do que foram a dengue e a zika no verão passado. Já foram notificados em 2016 215 mil casos de chicungunya, aproximadamente, no Brasil. Se considerarmos que existe pelo menos um caso não notificado para cada notificado, estaremos falando de praticamente 500 mil casos. Trata-se de uma doença debilitante que também pode provocar incapacidade temporária nas pessoas acometidas.
Quanto à chikungunya, no próximo verão, deverá vir a ser um problema tão ou mais grave, em abordagens diferentes, do que foram a dengue e a zika no verão passado
Não seria exagero dizer, que, hoje, a chikungunya está atingindo praticamente todo o Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, durante o ano de 2015 650 municípios tiveram casos da doença notificados. Em 2016, foram 2.250 municípios, um crescimento gigantesco. Durante todo o no ano de 2015, foram notificados cerca de 38 mil casos de chikungunya Brasil afora. Durante o ano de 2016, até setembro, o número passou a 215 mil, uma escalada vertiginosa da doença. Temos que nos preparar para enfrentar nesse próximo verão um problema ainda maior do que imaginávamos.
Os desafios estão sobretudo em aportar recursos e infraestrutura para as pesquisas em curso, e para outras em formulação, em instituições brasileiras e nas parcerias com instituições do exterior. É essencial para que possamos melhorar nosso conhecimento sobre diversos aspectos, em especial em relação a zika e chikungunya, que ainda são desconhecidos pelos profissionais de saúde. Por exemplo, no que diz respeito aos mecanismos de transmissão do vírus. Comprovadamente, o mosquito Aedes transmite zika, no entanto, temos observações que sugerem outras formas de transmissão do vírus, por exemplo, por via sexual. Essa via de transmissão deve ser, sim, cada vez mais monitorada e avaliada para que se possa ter a dimensão real da magnitude que esses mecanismos de transmissão sexual pode ter no complexo geral da dinâmica de transmissão da doença.
Os desafios estão sobretudo em aportar recursos e infraestrutura para as pesquisas em curso, e para outras em formulação, em instituições brasileiras e nas parcerias com instituições do exterior. É essencial para que possamos melhorar nosso conhecimento sobre diversos aspectos, em especial em relação a zika e chikungunya, que ainda são desconhecidos pelos profissionais de saúde
A tendência é de as localidades que tiveram epidemia de zika entre 2014 e 2015 não terem grandes epidemias no verão de 2016 para 2017, porque essas epidemias criam uma barreira de pessoas com anticorpos ao vírus. Nesses locais, em tese, não haverá epidemias tão graves quanto as anteriores. A expectativa maior fica em relação àquelas localidades em que os vírus zika e chicungunya ainda não circularam de forma intensa. Aí, a expectativa de epidemia no próximo verão permanece.
O substrato para essas epidemias é a conjugação de diversos fatores, alguns climáticos e outros, não. As chuvas que teremos no verão, a elevação de temperatura, que também teremos, a dificuldade de recolhimento de resíduos sólidos, sobretudo na periferia das grandes cidades, que vai se manter, infelizmente, o abastecimento irregular de água em algumas regiões do país, que também vamos continuar tendo, tudo isso contribui para que os focos de procriação e a intensidade e rapidez de multiplicação do mosquito ocorram.
Recentemente, o Congresso Nacional aprovou uma lei que autoriza a autoridade pública de saúde a pulverizar as cidades com inseticida para matar o mosquito transmissor de dengue, zika e chicungunya. Considero isso uma aventura ecológica, para não chamar de crime ambiental. Esse inseticida que será pulverizado por meio de aviões vai matar parte dos mosquitos, mas também vai matar abelhas, largartas, pássaros, pequenos animais e levar ao desenvolvimento de alergias graves em crianças. Ou seja, o impacto ambiental e sobre a saúde coletiva em hipótese alguma justifica essa aventura.
 Esse inseticida que será pulverizado por meio de aviões vai matar parte dos mosquitos, mas também vai matar abelhas, largartas, pássaros, pequenos animais e levar ao desenvolvimento de alergias graves em crianças
Estamos lidando com três doenças – quatro com a febre amarela – transmitidas por um mesmo mosquito, que tem seus principais focos de procriação relacionados a um passivo ambiental acumulado ao longo de 500 anos, acrescido, nas últimas décadas, de um processo de desenvolvimento que resulta no uso intensivo de garrafas plásticas, pets e outros apetrechos. Não tem milagre.


Fonte : Fiocruz

Pragas que não são Pragas





Aproveitamos o envio de mensagem de uma pessoa preocupada com esses bichos que aparecem nas fotos. A pessoa relatou que tem varrido esses bichos mortos e alguns vivos ficam pulando. 
Na verdade esses bichos não são insetos e sim crustaceos. Eles estão ligados a focos de umidade. Na natureza são encontrados em manguezais e pertencem à ordem Amphipoda.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O verão chegou trazendo as pragas urbanas

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Congresso Internacional de Entomologia 2016

Em recente participação no Congresso Internacional de Entomologia em Orlando no mês de setembro desse ano, houve um grande numero de apresentação de trabalhos referentes ao uso e segurança de insetos como alimento humano e animal.
Um deles é uma publicação da Elsevier cujo link segue abaixo.

http://buglady.dk/wp-content/uploads/2015/02/Potential-and-challenges-of-insects-as-an-innovative-source-for-food-and.pdf

Potential and challenges of insects as an innovative source for food and feed production Birgit A. Rumpold, Oliver K. Schlüter ⁎ Leibniz Institute for Agricultural Engineering Potsdam-Bornim, Max-Eyth-Allee 100, 14469 Potsdam, Germany


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Iinfestação de cupins em video

Congresso Internacional de Entomologia em Orlando na Florida



A Sociedade Entomologica Americana vai hospedar o Congresso Internacional de Entomologia na cidade de Orlando, na Florida na próxima semana. O tema oficial do evento é Entomologia sem fronteiras e deverá reunir uma grande quantidade de cientistas do tema que virão de várias partes do mundo para troca de experiências e em busca de inovações.

A ABC EXPURGO estará cobrindo o evento trazendo informações para todos os que se interessam no assunto enfocando as pragas urbanas.

Aguardem mais informações no decorrer da semana que vem.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Estudo recomenda teste antes de vacinação para dengue; entenda os riscos ­

16/09/2016  

Notícias ­ Saúde http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas­noticias/redacao/2016/09/01/vacina­contra­dengue­e­mais­indicada­para­quem­ja­teve­a­doenca.htm  

Estudo recomenda teste antes de vacinação para dengue; entenda os riscos 

Fernando Cymbaluk Do UOL, em São Paulo 01/09/2016 17h28 m  Lucas Lima/UOL 

Estudo publicado na revista Science desta sexta-feira (2) indica que a vacina contra a dengue leva a um aumento de casos graves e hospitalizações em quem nunca teve a doença. Por isso, onde a incidência da dengue não é tão alta, os pesquisadores defendem que testes sejam feitos para detectar se a pessoa foi infectada antes da imunização. Os resultados corroboram os achados de pesquisa anterior, publicado no periódico científico Lancet (acesse os links no fim do texto). 

A vacina é aprovada no Brasil, e o Estado do Paraná conta com uma campanha de vacinação em 30 cidades (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/09/1809286-primeiracampanha-de-vacina-contra-dengue-tem-baixa-adesao-no-parana.shtml). 

Chamada Dengvaxia, ela é indicada para indivíduos de 9 anos a 45 anos. Esse limite de 9 anos é exatamente porque foram observadas reações nas crianças menores. Agora, os pesquisadores dos Estados Unidos e da Inglaterra sugerem que não é idade (como foi imaginado anteriormente) que causa o aumento nos casos graves, mas o não contato com vírus. Pelo menos, essa é a hipótese mais provável. 

Explico. Nos testes realizados na Ásia, verificou-se um aumento nos casos de hospitalização e dengue severa entre crianças de dois e cinco anos que tinham sido vacinadas. Então, acreditaram que a idade favorecia o aparecimento de casos graves, mas os pesquisadores fizeram modelagens matemáticas a partir dos testes e viram que a não infecção explicava melhor os resultados. 

Existem quatro variações (sorotipos) do vírus da dengue. Quem é infectado, fica imunizado apenas contra aquele determinado sorotipo, podendo contrair a doença se contaminado pelos outros três. E a segunda infecção tende a ser mais grave. Nas pesquisas com a vacina realizadas na América Latina e na Ásia, se verificou uma eficácia de 81,9% entre os participantes que já tinham tido dengue, enquanto a eficácia entre os que nunca tinham sido infectados foi de 52,5%. É como se a vacina agisse mais ampliando a imunidade pré existente de quem já teve dengue do que aumentando a proteção em quem nunca teve. 

Os pesquisadores indicam que o risco de casos graves não está presente apenas entre crianças de menos de 9 anos, mas para toda a população na qual a maioria das pessoas nunca teve contato com a dengue. Importa mais saber se a pessoa é soropositiva [se já foi infectada pelo vírus] do que saber a idade 

Isabel Rodríguez, pesquisadora da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore (EUA) 

Entre os que já pegaram a doença e que tomaram a vacina, a probabilidade de hospitalização e dengue grave é 90% menor em comparação com vacinados que nunca tiveram dengue, segundo o estudo. Áreas com menos dengue devem ter maior cuidado. 

 A OMS (Organização Mundial da Saúde) só recomenda a introdução da vacina em lugares em que 70% ou mais da população já teve dengue, e não indica a vacina onde esse número seja menor do que 50%. O raciocínio é simples. Em locais e grupos em que a grande maioria das pessoas já teve dengue, você provavelmente estará imunizando pessoas que já tiveram o vírus. Vale lembrar que muitas vezes o primeiro contágio por dengue é assintomático, e a pessoa não sabe se já teve a doença. Por isso, as estratégicas de vacinação levam em consideração os dados estatísticos, a chamada soroprevalência. "Em locais com soroprevalência entre 30% e 50%, o impacto da vacinação é limitado, mas positivo em termos gerais", diz Neil Ferguson, pesquisador do Imperial College, de Londres. Ele explica que o número de casos de dengue leve é reduzido nessas situações. Contudo, para o pesquisador, o benefício ocorre "à custa do aumento do risco [de dengue severa] em quem nunca teve dengue". Ferguson sugere que as consequências negativas da vacinação em grupos com baixa soroprevalência podem ser evitadas elevando-se a idade das crianças a serem vacinadas. Onde há, por exemplo, soroprevalência de 30%, "um aumento global nas hospitalizações por dengue pode ser evitado ao se vacinar crianças de 13 anos de idade, em vez de 9 anos de idade", afirma. 

Devo tomar a vacina? 

Segundo especialistas consultados pelo UOL, não há contra indicação no uso da Dengvaxia. As pesquisas mostram que em regiões onde a grande maioria da população já teve dengue, a vacina garante redução de hospitalizações de 80,3%. Assim, a decisão de tomar a vacina deve levar em consideração principalmente o local em que a pessoa mora ou planeja morar. A taxa que indica a exposição de uma população ao vírus da dengue chega a 90% em algumas cidades do Nordeste. Já no Sul do país, a incidência é mais baixa devido ao clima, menos propício à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Cidades brasileiras que participaram das pesquisas clínicas da vacina possuem soroprevalência de 74%. Há também um fator relacionado à idade. A chance de já ter sido infectado pela dengue é maior quanto mais velha é a pessoa. E vacinar crianças menores do que 9 anos é ilegal. Os especialistas lembram também que a eficácia da vacina é considerada baixa em comparação com outras vacinas (a da febre amarela protege em 90% dos casos, por exemplo). Por isso, o uso de uma vacina com eficácia que não é a ideal precisa ser acompanhado da garantia que ela está sendo inserida em regiões com as melhores características para maximizar seus benefícios. Para a OMS, fazer testes com todos os candidatos a tomarem a vacina em políticas de vacinação em massa acarretaria um aumento grande nos custos, o que poderia inviabilizar as campanhas. 

Para quem quer tomar a vacina em clínicas particulares, é possível realizar o teste. A vacina deve ser dada em três doses. No Brasil, o valor de cada dose varia entre R$ 132 e R$ 138. Nas clínicas, o preço é maior devido aos custos de aplicação e armazenamento. A vacina é eficaz onde há grande incidência de dengue "Segundo a Sanofi Pasteur, fabricante da vacina Dengvaxia, o estudo publicado na Science "confirmou os benefícios para a saúde pública da vacina em áreas com alta incidência da doença". A farmacêutica afirma que "OMS concluiu que a vacina deveria ser utilizada em ambientes endêmicos, em população com idade de 9 anos ou mais, independentemente de sua exposição prévia à dengue (condição sorológica)". A farmacêutica também afirma que "a vacina contra dengue não aumenta a gravidade dos casos ou hospitalizações" e que "a OMS não recomenda testes sorológicos antes da vacinação dentro da indicação". "A Sanofi Pasteur está alinhada com a recomendação da OMS", diz a empresa. Por fim, a Sanofi diz que "a vacina é indicada para quem teve e quem não teve dengue, sendo a eficácia superior em quem já teve a doença, alcançando o índice de 82%". "Não observamos aumento de dengue grave e hospitalizações em 29 mil indivíduos vacinados com a vacina contra dengue da Sanofi Pasteur. Observamos a segurança desta vacina em soropositivos e soronegativos, portanto, não consideramos um fator limitante à vacinação." 

Veja os estudos publicados nas revistas Science (http://science.sciencemag.org/content/353/6303/1033) e Lancet (http://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(16)30168- 2/abstract). Veja tam

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Especialista do INI/FIOCRUZ esclarece sobre chikungunya

Em entrevista, especialista do INI/Fiocruz esclarece sobre chikungunya

Antonio Fuchs e Juana Portugal
O Chikungunya é uma doença transmitida pelo Aedes aegypti, assim como a Dengue ou a Zika, identificada no Brasil em 2014. Em recente seminário realizado no INI, especialistas divulgaram que é grande a probabilidade de uma epidemia no país em 2017. Além de provocar febre alta e dores musculares, o paciente com Chikungunya apresenta, em geral, dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos, que podem até incapacitar a pessoa. Um diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento.
Confira, a seguir, a entrevista onde o reumatologista do INI, Roberto Fiszman, esclarece o que é o Chikungunya, seus sintomas e tratamento.
Nós teremos uma epidemia de Chikungunya em 2017?
Roberto Fiszman: Nós temos a possibilidade de uma forte epidemia no verão de 2017 devido às características deste vírus e pelas condições que nosso país oferece para isso. Considerando o histórico de altas taxas de ataque de Chikungunya em populações vulneráveis, como é a nossa, existe esse risco. Pode não acontecer, mas é possível.
O que é a “taxa de ataque”?
Roberto Fiszman: A taxa de ataque é o número de pessoas que são afetadas numa determinada população exposta a um agente, em um determinado período de tempo. Diferentes organismos têm diferentes taxas de ataque. O Chikungunya possui uma taxa de ataque elevadíssima, afetando entre 20 e 60% da população.
Considerando seu histórico, essa primeira onda que passou no Brasil pode ter sido mais leve no Rio de Janeiro, dentro do que se espera do comportamento do vírus, por isso dizemos que existe o risco de uma epidemia em breve.
A história do vírus começa no continente africano há muitos séculos. As pessoas que para lá viajaram e se infectaram, acabaram levando o vírus para outros lugares em condições favoráveis de transmissão. A partir da década de 50 começam a aparecer relatos de surtos e epidemias na África e Ásia, em especial na Índia, onde ocorreram epidemias em 2005 e 2006. De 2013 em diante houve uma expansão ainda maior. A cepa asiática do Chikungunya chegou via América Central e de lá para o norte do Brasil (2014). A cepa africana chegou em nosso país por Feira de Santana, na Bahia.
Qual é a previsão de número de casos para o Rio de Janeiro?
Roberto Fiszman: Se dissermos que o Chikungunya vai ter uma taxa de ataque de 20% na nossa cidade, considerando que temos seis milhões de habitantes, são 1.2 milhões de pessoas com o vírus. É um número muito grande para uma doença muito agressiva.
Essa estimativa se deve à vulnerabilidade da população a um novo vírus?
Roberto Fiszman: Sim, essa é uma questão relevante e sempre acontece. A pandemia de gripe ocorreu porque era um vírus novo e o mesmo aconteceu na Zika. Nesse sentido, o Chikungunya é outro vírus novo, mas ele tem uma característica mais agressiva em relação ao número de pessoas que consegue atingir em uma determinada população.
O Chikungunya é mais grave que a dengue?
Roberto Fiszman: Dengue também é muito ruim e é importante ressaltar que sempre vamos abordar o paciente clinicamente, na sala de emergência, como se ele tivesse dengue. Essa é a regra.
Na ausência de um laboratório na ponta, capaz de dar uma resposta imediata, a ordem é tratar como dengue, porque sua linha de cuidado já é de conhecimento de todas as equipes de saúde. Quem estiver bem clinicamente receberá orientações e medicamentos para controle dos sintomas e explicações quanto aos sinais de alarme. Esses sinais de alarme são iguais para todas essas doenças (Dengue, Zika e Chikungunya): vômito e/ou diarreia, impossibilidade de hidratar-se e/ou nutrir-se adequadamente, dores abdominais, petéquias (pequenos pontos vermelhos no corpo - na pele ou mucosas, causados por uma pequena hemorragia de vasos sanguíneos) ou sangramento. Um quadro clínico geral em piora constante também é considerado um sinal de alerta.
Temos que olhar para a pessoa doente, procurar sinais de alerta e cuidar para que sua saúde imediata se restabeleça. Depois da fase aguda, aí sim, teremos condições de avaliar o que está acontecendo e discutir um novo plano terapêutico para o paciente.
Como é feito hoje o diagnóstico de Chikungunya quais são os principais sintomas?
Roberto Fiszman: O Chikungunya é tipicamente uma doença febril aguda acompanhada de artrite, exantema (aparecimento de erupções cutâneas vermelhas em uma região específica ou por todo o corpo causadas por infecções ou efeito colateral de medicamentos) e muita dor. No entanto, as apresentações clínicas têm grande variação. A pessoa pode ficar doente de Chikungunya de uma forma totalmente igual ao da Dengue. A manifestação clínica não é suficiente para a gente afirmar que doença ela vai ter de primeira. Em geral, o médico analisa os sintomas comuns de cefaleia, mialgia (dor muscular), etc. Isso entrou em nossa cultura. A gente sabe os sintomas da Dengue, só que podem ser também da Zika ou do Chikungunya.
O Chikungunya possui algumas questões características. A proporção de pessoas assintomáticas, quando infectadas, é baixa, menos de vinte por cento, comparando com Zika que pode ter 80% de casos assintomáticos. Vamos suspeitar do Chikungunya de imediato em quem tiver artrite, porque a grande diferença dele para as outras arboviroses é essa.
O Chikungunya pode comprometer todas as articulações, sejam pequenas ou grandes, podendo acometer a coluna vertebral também. É importante destacas que as articulações previamente danificadas têm maior chance de dano viral. Pessoas com história de LER (Lesões por Esforço Repetitivo), tendinites de repetição, síndrome do túnel do carpo, também podem ser afetadas.
Após consultar o médico é necessário fazer um exame laboratorial?
Roberto Fiszman: Essa foi uma das questões abordadas no Seminário do INI, em 16 de agosto. Não temos, no país, laboratórios suficientes para atender a demanda de exames. A rede privada dispõe de laboratórios para isso, mas também não será capaz de suprir toda a necessidade.
Clinicamente falando, a pessoa pode fazer o exame de sangue em até cinco ou sete dias, que é o isolamento através de Polymerase Chain Reaction(PCR), que detecta o vírus com precisão molecular. Existe também a sorologia para o vírus, que é feita após o tempo do PCR. O tempo de fazer o PCR é quando o vírus está no sangue. Depois que o vírus não está no sangue é que fazemos a sorologia. Uma questão é que a sorologia não possui uma boa acurácia.
Os laboratórios de saúde pública não estão preparados para lidar com um volume tão grande de amostras, em especial quando alguma incorporação tecnológica é necessária.
Quais são as dificuldades tecnológicas no uso da sorologia?
Roberto Fiszman: São testes novos e precisam ser validados com a nossa população. Esse é um trabalho em que se propõe um desenho específico para uma comparação entre os resultados do padrão ouro (PCR) e a sorologia.
A validação pressupõe encontrar uma população com Zika, Chikungunya e Dengue, aplicar o PCR, que é o padrão, e em seguida a sorologia. O PCR e a sorologia precisam apresentar a mesma informação. Atualmente a sorologia ainda é imprecisa.
Quanto tempo dura a fase aguda do Chikungunya?
Roberto Fiszman: A fase aguda da doença dura de alguns dias a algumas semanas. Nosso problema é a fase crônica, que começa na sexta semana, porque quem está livre da artrite até esse momento ficará sem artrite. Pode haver alguma variação nesse tempo de acordo com cada indivíduo. Os sintomas podem durar seis meses, um ano, dois ou mais. Muitas coisas ainda precisam ser esclarecidas nessa doença.
Como é feito o tratamento?
Roberto Fiszman: O tratamento da fase aguda é feito com controle dos sintomas, sem anti-inflamatório, nem corticoide. É muito importante que o cuidado seja baseado no que está acontecendo com quem está doente, porque existem determinadas pessoas que não devem tomar tipos específicos de medicamentos. O tratamento deve ser prescrito com base na história clínica do paciente. A partir da fase crônica temos três alternativas gerais: anti-inflamatórios não-hormonais (AINH), corticoides ou metotrexato (medicamento utilizado no tratamento de artrites reumatoides).
Essa é a recomendação padrão para tratamento de Chikungunya?
Roberto Fiszman: uma das mensagens do Seminário sobre Chikungunya, transmitida pela Vice-Diretora de Qualidade e Informação do INI, Marilia Santini, foi a necessidade de se fazer estudos sobre o uso da medicação, que é uma coisa que não temos. Por exemplo, o uso de corticoides na fase aguda da doença não é recomendado. Em Feira de Santana, na Bahia, corticoides foram ministrados extensivamente na fase aguda, sem controle, em doentes com Chikungunya. Um estudo de caso controle serviria para entendermos melhor isso e assim poder propor um ensaio clínico. Faltam, com relação ao Chikungunya, um melhor diagnóstico e uma melhor capacitação profissional para enfrentarmos a doença.
Pessoalmente, discordo das definições e das práticas que têm sido feitas com relação ao Chikungunya. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) consideram a doença como crônica após três meses. Na minha experiência, seis semanas são suficientes para dizer que ela é crônica. O argumento da OMS e do MS é que o tratamento não precisa ser tão agressivo para tratar algo com essa duração. O meu argumento é outro: meses nessas condições impactam muito a vida do paciente. Alguém que trabalha, por exemplo, e tem Chikungunya, precisa parar. É um impacto muito grande na saúde mental, física e laboral.
O Chikungunya deixa alguma sequela?
Roberto Fiszman: Em geral, não. No entanto, como acomete articulações já fragilizadas, pode piorar a situação do paciente. Existem casos de neurite grave e incapacitante (lesão inflamatória ou degenerativa dos nervos). Foram descritos, mais raramente, casos de miocardite, mielite, meningite, hemorragia, entre outros. Algo que chamou à atenção é que estamos observando casos graves em crianças, o que não esperávamos que ocorresse.
Finalmente, muitos ficam deprimidos, aparecem com fibromialgia, perdem o emprego e têm dificuldades depois. É uma doença com uma carga psicossocial muito alta.
Mas a previsão é de que essa onda de Chikungunya diminua?
Roberto Fiszman: Teoricamente sim, isso vai amenizar um dia. Mas não é o que a gente espera de imediato por conta do histórico do vírus e sua alta taxa de ataque.
Frente a esse possível surto, o que a população deve fazer?
Roberto Fiszman: A prevenção do Chikungunya é a mesma para todas as arboviroses: combater o mosquito Aedes aegypti. É evidente que se a pessoa puder se proteger, usar repelentes, indo além de combater o mosquito, melhor para ela e para todos. Um detalhe de excepcional importância, que é esquecido com frequência, é passar repelente em quem está doente.
Além disso, precisamos muito integrar todos os recursos do nosso sistema de saúde para trabalhar da melhor forma possível, atuando na Atenção Primária, e temos que nos preparar para o pior, mesmo sabendo que isso não necessariamente irá acontecer. Devemos estar preparados para fazer o melhor pela população.
Ficar doente de Chikungunya não significa dizer que a pessoa ficará sem tratamento e não terá melhoras. Existe tratamento e existe melhora e isso é importante para que as pessoas não desanimem só de ouvir o diagnóstico. Existe tratamento e as pessoas, de fato, melhoram. O tratamento faz toda a diferença.
Existem muitos desafios no enfrentamento dessa doença. Primeiro, temos que admitir nossa ignorância em relação a esse agente. Tudo é novo. O segundo problema é com relação à estrutura que temos para diagnóstico, tratamento e organização do sistema. Então, quanto antes nós nos preocuparmos com isso e trabalharmos para integrar esses recursos, melhor.

Culex do Rio não são competentes para transmitir zika



Vinícius Ferreira e Cristiane Albuquerque (IOC/Fiocruz)

Pesquisa realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) aponta que os mosquitos Culex quinquefasciatus do Rio de Janeiro não possuem competência vetorial para transmitir as linhagens locais do vírus zika. A participação desta espécie (popularmente conhecida como pernilongo ou muriçoca) no ciclo de transmissão da doença é uma das hipóteses investigadas para explicar a rápida disseminação do vírus zika pelo país. Para comparação, também foram estudados mosquitos Aedes aegypti, constatando-se, em contraste, sua alta capacidade de transmissão do patógeno. Estas evidências científicas reforçam que as estratégias de controle de zika devem permanecer focadas no Aedes aegypti, principal vetor do vírus nas Américas. O Instituto Pasteur de Paris é parceiro do estudo, publicado na revista científica Plos Neglected Tropical Diseases.

Integrante do Laboratório analisa placas de cultura de células inoculadas com amostras de saliva de mosquitos Aedes aegypti (superior) e Culex quinquefasciatus (inferior). Enquanto a placa superior evidencia a destruição das células pelo vírus Zika, na placa inferior não houve dano (foto: Vinícius Ferreira)

De janeiro a março de 2016, o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC coletou ovos e larvas de Culex quinquefasciatus em quatro bairros da cidade do Rio de Janeiro: Manguinhos e Triagem, na Zona Norte, Jacarepaguá, na Zona Oeste, e Copacabana, na Zona Sul. Os ovos e larvas foram levados para o laboratório e, quando atingiram a fase de mosquitos adultos, foram separados em gaiolas. Em seguida, foram alimentados com sangue infectado com o vírus zika. Para isso, foram usadas duas linhagens locais do vírus, isoladas, em janeiro, pelo Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, a partir de amostras de pacientes do Rio de Janeiro. “Utilizamos mosquitos coletados diretamente em campo e linhagens do vírus circulantes na cidade na mesma época para que o resultado pudesse ser o mais fiel possível à realidade do Rio de Janeiro”, explica Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e coordenador do estudo.
Metodologia
Cerca de 30 mosquitos de cada gaiola foram analisados aos 7, aos 14 e aos 21 dias após a alimentação com sangue infectado. Foram testadas as seguintes partes do corpo: abdômen/tórax (onde estão localizados o estômago, onde o sangue se aloja logo após a alimentação, e as glândulas salivares do mosquito), cabeça (para verificar se ocorreu disseminação do vírus no corpo do mosquito depois da ingestão) e saliva (para verificar a possibilidade de transmissão do vírus durante a picada).
As amostras de abdômen/tórax e cabeça foram analisadas por meio de duas técnicas: RT-PCR em tempo real e a inoculação em cultura de células Vero (derivadas de rim de macacos), um método amplamente usado em estudos sobre atividade viral no caso da família dos flavivírus, à qual pertencem os vírus zika e dengue. Enquanto a técnica de RT-PCR em tempo real é capaz de detectar e quantificar o material genético do vírus, a metodologia de análise em células Vero é recomendada para identificar se o vírus está ativo (capaz de causar infecção em vertebrados). Em relação às amostras de saliva, foi usada apenas a técnica de inoculação em células Vero, uma vez que o baixo volume de saliva expelida pelo vetor não permitiria a aplicação de uma segunda técnica.

Em detalhe, placas com amostras de saliva de mosquitos 'Aedes aegypti' (direita) e 'Culex quinquefasciatus' (esquerda) inoculadas em células Vero. Enquanto a placa da direita evidencia a destruição das células Vero pelo vírus zika proveniente de Aedes, na placa da esquerda não há demonstração de infecção viral (foto: Josué Damacena)
 
Resultados 
Foram mais de mil amostras analisadas, referentes a 392 mosquitos. Somente em dois exemplares de mosquitos Culex quinquefasciatus, provenientes dos bairros de Triagem e Manguinhos, foi detectada infecção inicial no abdômen/tórax, no período de 14 dias após a alimentação com sague infectado, e nenhuma partícula viral foi identificada na cabeça e nem na saliva desses mesmos mosquitos. “O achado indica que o vírus zika não consegue se disseminar completamente pelo corpo do Culex quinquefasciatus. Logo, os dados mostram que o inseto não é capaz de transmitir o patógeno, uma vez que não há presença de partículas infectantes do vírus na saliva que possam ser expelidas no momento da picada e infectar um ser humano”, explica Lourenço.
Para uma análise comparativa, os mesmos protocolos foram usados para testar mosquitos Aedes aegypti também do Rio de Janeiro, provenientes dos bairros da Urca, na Zona Sul, e de Paquetá, ilha situada na Baía de Guanabara. Os resultados foram completamente distintos: enquanto as taxas de infecção no abdômen/tórax entre os Culex quinquefasciatus foram mínimas (apenas dois exemplares, após 14 dias de alimentação com sangue infectado), altos índices de infecção no abdômen/tórax foram verificados entre 85% a 97% dos Aedes aegypti testados após 14 e 21 dias da alimentação com sangue infectado, independentemente da linhagem do vírus zika usada no experimento. “Chegamos a detectar Aedes que em apenas sete dias após a alimentação já apresentavam infecção no abdômen/tórax”, enfatiza Ricardo. Se, nos Culex quinquefasciatus, não foram observadas partículas virais na saliva em nenhum período de tempo após a alimentação com sangue infectado, mais de 90% dos Aedes apresentaram vírus ativo na saliva 14 dias após a alimentação.
“Pouco é sabido sobre o vírus zika e sua interação com o organismo do mosquito. É possível que a combinação entre as variações genéticas dos vírus e as variações genéticas dos mosquitos, ao longo de sua distribuição territorial, impacte na competência para a transmissão. O que podemos dizer é que, com base em amostras representativas tanto para os mosquitos quanto para o vírus zika, no Rio de Janeiro, os resultados, até o momento, apontam que o foco para o controle da doença, no Brasil e em áreas endêmicas nas Américas, deve permanecer na eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti”, avalia o pesquisador.
Parceira do estudo, a pesquisadora Anna-Bella Failloux, chefe da unidade de Arboviroses e Insetos Vetores do Instituto Pasteur de Paris, ressalta a importância do resultado. “O trabalho em conjunto com a equipe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários está nos permitindo, mais uma vez, contribuir diante de uma emergência de saúde mundial. Essa colaboração ocorre no contexto da rede internacional dos Institutos Pasteur, que conta com 33 unidades em diversos países e da qual o Instituto Oswaldo Cruz e a Fiocruz fazem parte”, acrescenta a cientista.
Inseto vetor
Para determinar que a transmissão de uma doença é realizada por uma determinada espécie de inseto vetor é necessário realizar duas constatações. Além de comprovar em laboratório que este vetor é capaz de transmitir o vírus, por meio de testes que avaliam a capacidade de transmissão, é necessário localizar na natureza exemplares desta espécie que estejam infectados com o vírus (o que é chamada de infecção natural). Há mais de um ano, a equipe liderada por Lourenço coleta mosquitos em localidades onde foram identificados casos de zika, no Estado do Rio de Janeiro. Dos mais de mil mosquitos adultos capturados, cerca da metade era da espécie Aedes aegypti e a outra de Culex quinquefasciatus.
A partir desse trabalho, um resultado inédito foi divulgado em maio de 2016, quando, pela primeira vez no Brasil e na América do Sul, mosquitos Aedes aegypti naturalmente infectados com o vírus zika foram identificados. Por meio da técnica de RT-PCR em tempo real foi possível identificar a presença do material genético do vírus zika. Quando comparado com amostras de vírus circulantes em humanos no Rio de Janeiro, foi constatada similaridade genética superior a 99%. Nenhum mosquito Culex quinquefasciatus foi encontrado com infecção natural do vírus zika ao longo das coletas realizadas até o momento. “Este é um trabalho antigo, que realizamos há mais de uma década, incialmente com foco em dengue, e, mais recentemente, ampliado para zika e chikungunya”, diz Lourenço, acrescentando que as coletas continuam.
Outros estudos sobre o Culex
A capacidade de determinado mosquito vetor para transmitir um agente patogênico pode variar de acordo com combinações específicas da linhagem viral e do genótipo do inseto. No caso do vírus zika, diversas iniciativas estão empenhadas em investigar esta associação, considerando mosquitos de diferentes regiões e vírus que circularam em locais e momentos distintos.
Estudo realizado por pesquisadores na Fiocruz Pernambuco, divulgado em julho, detectou a presença natural do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus coletados na cidade do Recife. O mesmo grupo anunciou que, durante experimentos de competência vetorial realizados em laboratório, a partir do terceiro dia após a alimentação artificial dos mosquitos, a presença do vírus foi verificada nas glândulas salivares de mosquitos Culex quinquefasciatus, usando-se a técnica de microscopia eletrônica. Também foi observada, pela técnica de RT-PCR quantitativa, a presença do vírus na saliva expelida pelos mosquitos infectados. No estudo de infecção laboratorial, os mosquitos foram infectados oralmente com a linhagem ZIKU BRPE243/2015 do vírus Zika. Estudos adicionais estão em andamento.
No México, após ampla varredura, pesquisadores da Universidade do Texas Medical Branch, dos Estados Unidos, identificaram somente mosquitos Aedes aegypti naturalmente infectados com o vírus zika. Nenhum mosquito Culex quinquefasciatus foi encontrado naturalmente infectado. O artigo foi publicado no The Journal of Infectious Diseases. Já especialistas da Universidade de Wisconsin, também dos Estados Unidos, constataram, após testes laboratoriais realizados com a linhagem asiática do zika, que mosquitos da espécie Culex pipiens são incapazes de transmitir o vírus, ao passo que Aedes aegypti testados simultaneamente foram competentes para transmitir o vírus. A pesquisa foi publicada no periódico Emerging Infectious Diseases. Ambos os achados foram divulgados em julho.
Em agosto, outro grupo de especialistas da Universidade do Texas Medical Branch divulgou estudo mostrando que mosquitos Aedes aegypti apresentaram eficiência vetorial para transmissão do vírus, diferentemente dos insetos da espécie Culex quinquefasciatus, que foram incapazes de transmitir. No processo de infecção experimental, foram usadas linhagens do vírus zika isoladas em 2010, no Camboja. Os dados foram disponibilizados no site da instituição.
Pesquisadores da Kansas University testaram a capacidade de transmissão de zika por mosquitos Culex quinquefasciatus e Culex pipiens coletados nas localidades de Vero Beach, na Flórida, de Anderson, na Califórnia, e de Ewing, em Nova Jersey, todas nos Estados Unidos. Os mosquitos foram alimentados com sangue infectado com a linhagem asiática do vírus zika, isolado em 2015, de um paciente de Porto Rico. No artigo, publicado em agosto na revista científica Vector-Borne and Zoonotic Diseases, foi demonstrado que a probabilidade de transmissão do vírus pelas espécies é baixa. Embora a infecção e disseminação do zika tenha sido detectada nas três populações de mosquitos imediatamente após a alimentação, a detecção viral não foi confirmada pelo método de RT-PCR em nenhuma das populações aos 7 e aos 14 dias após a infecção, indicando que o patógeno não chegou às glândulas salivares.
Em estudo publicado em setembro no periódico europeu Eurosurveillance, pesquisadores do Instituto Pasteur em colaboração com o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC, constataram que mosquitos Culex quinquefasciatus, da Califórnia, nos Estados Unidos, e Culex pipiens, de Tabarka, na Tunísia, não são competentes para transmitir a linhagem asiática do vírus zika, a mesma que circula no Brasil. A conclusão veio após dois diferentes testes. Além da alimentação oral com sangue infectado com o vírus zika isolado em 2014, na Nova Caledônia, os especialistas inocularam uma alta taxa de vírus diretamente no tórax dos mosquitos. Mesmo com a infecção forçada, de forma a ‘pular’ a passagem do vírus pelo estômago, não foi observada a presença de vírus infectante na saliva expelida pelos mosquitos. Logo, não houve eficiência para transmissão.
Na mesma edição da Eurosurveillance, uma pesquisa realizada na Itália apontou que mosquitos Culex pipiens coletados no país não são capazes de transmitir o vírus zika. De forma comparativa, a competência vetorial dos mosquitos Aedes aegypti – coletados no México e mantidos em uma colônia em laboratório – foi confirmada no trabalho. Os mosquitos foram alimentados com sangue infectado por vírus zika da linhagem asiática, a mesma que circula nas Américas. Em análises realizadas três, sete, 10, 14, 20 e 24 dias após a alimentação, nenhum mosquito Culex pipiensapresentou vírus disseminado pelo organismo ou na saliva. Já entre mosquitos Aedes aegypti, a disseminação do zika no organismo e a presença de partículas virais na saliva foram detectadas a partir de sete dias após a infecção. A investigação foi realizada por cientistas do Istituto Superiore di Sanità e do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).