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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Novo teste pode diagnosticar zika e sorotipos de dengue em 20 minutos


Um novo e simples exame de sangue em uma tira de papel pode detectar em apenas 20 minutos se o paciente está infectado pelo vírus da zika e por cada um dos quatro sorotipos da dengue. Fácil de usar, o teste pode fazer toda a diferença em países como o Brasil, onde o teste padrão, a reação em cadeia de polimerase (PCR), que detecta presença de RNA viral no sangue, nem sempre está disponível nas áreas afetadas por surtos da doença.

O novo teste foi desenvolvido pelos Institute for Medical Engineering & Science (IMES) e Department of Mechanical Engineering do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e publicado no periódico ScienceTranslational Medicine[1]. Outra vantagem do novo teste é que ele elimina a possibilidade de falsos-positivos.

"É muito importante ter um teste capaz de diferenciar zika e os quatro sorotipos de dengue porque essas doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito, e circulam nas mesmas áreas", explica Kimberly Hamad-Schifferli, professora de engenharia da University of Massachusetts, em Boston, pesquisadora visitante do MIT, e uma das autoras principais do estudo.

Segundo a pesquisadora, o custo de produção do teste é de no máximo US$ 5 por cada tira de papel utilizada. O grupo também já foi contatado por empresas interessadas em produzi-lo.

Para Kimberly, o grande problema no que se refere aos testes para detecção da zika é o fato deles se basearem na interação de anticorpos com uma proteína viral chamada NS1, presente no sangue dos pacientes infectados, e que está presente em diferentes flavivírus, em diversas versões, o que possibilita a ocorrência de falsos-positivos. Por isso, a equipe foi em busca de anticorpos que respondessem apenas à NS1 produzida pelo vírus da zika, e proteínas NS1 específicas de cada sorotipo da dengue. Camundongos foram infectados com os vírus da zika e da dengue, e seus anticorpos foram analisados aos pares com ferramentas de informática, permitindo a identificação de pares de anticorpos que reagissem a apenas uma versão da NS1, garantindo a especificidade do teste.

O teste funciona da seguinte maneira: uma gota de sangue do paciente é acrescentada a uma solução de nanopartículas, e em seguida, uma tira de papel tratada com os anticorpos é mergulhada nesta mistura. Na presença da NS1, a tira vai apresentar uma faixa colorida, mais ou menos como num teste de gravidez comercial. Desta forma, os pesquisadores identificaram pares de anticorpos que reagem a uma única versão da NS1, impedindo também os falsos positivos.

"Nós criamos cinco testes diferentes: um para a zika e outros quatro para os quatro sorotipos de dengue", conta Kimberly.

"É preciso repetir o procedimento em cinco tiras diferentes, mas estamos trabalhando numa versão que utiliza a mesma tira de papel para os cinco testes", disse a pesquisadora em entrevista por e-mail ao Medscape, não descartando a possibilidade de a mesma estratégia ser usada para detecção de chikungunya. Isso faria o custo total do teste ainda mais.

"Nossos testes apresentaram resultados comparáveis aos dos PCR, com um grau de acerto que variou de 70% a 100%", acrescenta.

Além de pesquisadores americanos, o estudo contou com a colaboração de especialistas de Colômbia, México, Venezuela, Espanha, Índia e Brasil, onde cientistas das universidades federais de Minas Gerais e Sergipe, FioCruz, Instituto D'Or de pesquisa e Educação, e da Faculdade de medicina de São José do Rio Preto, forneceram amostras de sangue de pacientes. Por conta da legislação brasileira, bem como de Índia, Colômbia e México, que proíbe o envio de amostras de pacientes para fora do país, a logística da pesquisa envolveu também a viagem dos pesquisadores americanos para cá e para os demais países participantes da pesquisa.

Fonte:http://portugues.medscape.com/verartigo/6501604