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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O que será 2018 para a saúde?



 Epidemiologicamente falando, o ano de 2017 não foi tão terrível quanto o de 2015, quando foram confirmados os primeiros caso de zika (e de microcefalia causada pelo vírus) no país —neste ano, a incidência de novos casos foi baixa. 

Mas o ano que termina está longe de ser insosso quando o assunto são arboviroses, doenças causadas por vírus e transmitidas por artrópodes, como mosquitos. 

A febre amarela deu as caras como não se via havia décadas. São 777 casos de dezembro de 2016 a julho deste ano, superando o total aferido desde 1980, início oficial das estatísticas. 

A saúde em 2018

A população que mora no entorno de São Paulo viu parques entrando em quarentena e foi chamada para se vacinar contra a febre amarela, antes necessária apenas para quem viajasse a alguns Estados 

Felizmente, a doença não chegou às cidades. O cenário seria devastador, levando em conta o ilustre residente Aedes aegypti, responsável pela transmissão da febre amarela em centros urbanos. 

Em São Paulo, o sinal amarelo acendeu após a morte de primatas, vitimados pelo vírus em parques. A população vizinha viu os locais entrando em quarentena e foi chamada para ser vacinada. A meta era formar uma espécie de "cordão de isolamento imunológico", medida vista com reservas por especialistas. 

Apesar de não haver registros de febre amarela urbana, o perigo existe, diz o médico Antonio Bandeira, da Sociedade Brasileira de Infectologia. "O que preocupa não é nem tanto a quantidade de casos, mas a ocorrência nas imediações dessas áreas." 

Há o alerta do especialista, mas ainda é incerto como se mexerão as peças tabuleiro das arboviroses em 2018. 

Os elementos que determinarão se o próximo ano será bom ou ruim são dois. 

O primeiro é a susceptibilidade da população: se uma grande parte já foi infectada por algum vírus, a reentrada desse patógeno é dificultada. Se aquelas pessoas ainda são imunologicamente "virgens", o vírus pode, sim, deitar e rolar. 

Mas isso também depende dos fatores climáticos e ecológicos. Mesmo que uma população esteja propensa à infecção, se os vírus não tiverem um "meio de transporte", tudo se passa como se nada se passasse. Ou seja, sem uma condição climática que permita a proliferação de mosquitos não há como zika, chikungunya, dengue e febre amarela estragarem 2018. 

Não é sempre que podemos contar com a sorte, porém. 

Fonte: Jornal Folha de SP