Páginas

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A CONTRATAÇÃO DE UM RT


A exemplo do que ocorria com o ramo de farmácias , o Responsável Técnico das empresas de controle de pragas urbanas durante muitos anos foi um respeitável senhor fantasma.

Devido às falhas no sistema de fiscalização do setor (poucos profissionais, ausência de sistema integrado, acúmulo de serviços nas repartições) este problema era conhecido porém pouco perseguido. Muitas vezes, na chegada de algum fiscal, o responsável técnico era chamado às pressas ou "estava em visita externa".

Ser RT de uma empresa considerando as legislações federal e estadual (SP) significa, nos dias de hoje, abraçar uma série de atividades dentro da empresa que não se limitam a unicamente assinar certificados ou a documentação de renovação do Alvará anual.

As legislações referidas (Resolução nº 18 da Anvisa e Portaria nº 9 do CVS-SP) esclarecem em primeiro lugar uma dúvida que ainda paira no ar: que formação deve ter o RT?

Por muitos anos se considerava o RT ideal o quimico ou farmacêutico. Com o passar dos anos e com a chegada destas normas a dúvida ficou esclarecida. Tanto a Norma Federal quanto a Estadual estabelecem que o RT poderá ser um biólogo, farmacêutico, químico, engenheiro químico, engenheiro agrônomo, engenheiro florestal, médico veterinário.

A Portaria CVS 9 do Estado de São Paulo vai um pouco mais longe destacando que o RT poderá ser um outro profissional que possua nas atribuições de conselho de classe respectivo, competência para exercer tal função.

Apesar disso, ainda é possível ler alguns editais em que existe uma exigência de um profissional de uma determinada categoria, como a dos quimicos por exemplo. Muito provavelmente isso seja atribuído à falta de informação, já que a legislação abriu o leque permitindo o ingresso de outros profissionais o que inclusive é mais justo e mais coerente, e impede a formação de grupos de interesses corporativos.

O aspecto seguinte a considerar está relacionado com as atividades do profissional dentro da empresa. De acordo com a CVS 9 o RT ...responde pela aquisição, utilização e controle dos produtos desinfestantes domissanitários utilizados. O RT necessita acompanhar primeiramente o processo de compra, assumindo as responsabilidades quanto à seleção dos princípios ativos e formulações utilizados nos serviços. É ele quem deve decidir quando à uma nova inclusão de uma formulação nos produtos de linha utilizados pela empresa, pois cabe a ele analisar os aspectos toxicológicos e de resultados de cada formulação. Cabe a ele determinar em que circunstâncias cada formulação será utilizada, de acôrdo com as orientações e políticas da empresa.

O RT é também responsável pela entrada e saída dos produtos comprados e consumidos e , portanto, ele deve estabelecer uma rotina rígida de tal forma que seja possivel rastrear cada lote de cada formulação na eventualidade de uma não conformidade ou de algum problema detectado na prestação dos serviços.

Concluindo, o Responsável Técnico deixou de ser uma mera eminência parda e passou a partir da vigência das legislações citadas a ser um importante, se não, primordial elemento dentro de uma organização de controle de pragas. E os clientes devem estar cientes disso e aproveitar ao máximo o seu conhecimento e orientação.

Lucia Schuller
Bióloga

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O POMBO PAULISTA

A MIDIA IMORTALIZOU O POMBO PAULISTA COMO UM PERSONAGEM QUE TUDO VÊ E TUDO SABE.

A utilização pela mídia do POMBO PAULISTA mostra nas entrelinhas alguns aspectos de sua ecologia bastante importantes. O Pombo, além de Paulista é oniciente e onipresente, sem ser divindade. Sua presença é tão flagrante e tão expandida que este Pombo Paulista é capaz de saber dos mínimos e mais íntimos detalhes da vida do Paulistano. Ele sabe se o cidadão passa roupa ou não, se toma banho ou não, quanto gasta de energia e outros detalhes interessantes.

A ímagem que a mídia retratou é bem parecida com aquela que nós cidadãos paulistanos observamos todos os dias. Uma ave extremamente adaptada aos hábitos do homem urbano, vivendo às suas expensas com a maior falta de cerimônia, ocupando todos os espaços do homem e suas cercanias.

Os pombos encontraram guarida no ambiente urbano em razão da visão humana de urbanização. Os rococós e trejeitos da arquitetura antiga, moderna, pós modernista e contemporânea não escapam ao olhar atento e vigilante destas aves. Os pombos se aproveitam da falta de costura que existe entre os profissionais arquitetos e controladores de pragas e vão se acomodando por toda a cidade.

O homem, por sua vez, cansado de tanto cimento, nutre estes animaizinhos com o carinho proporcional à sua carência de natureza. Distribuir alimentos é uma prática comum nas cidades e geralmente quem o faz são os mais idosos e as crianças, que se divertem enquanto os pombos disputam as migalhas de pão e batem as asas com vigor, liberando milhões de microrganismos e ácaros que , por sua vez, se alojam nos transeuntes e nos atentos observadores.

Não é raro encontrarmos bandos de pombos que, afeitos à "caridade" das pessoas são mais arrojados e invadem lanchonetes , chegando a subir em mesas para obter o que desejam.

Não podemos também nos esquecer daqueles pombinhos que vivem nos lixões, nas usinas de lixo, dos restos de compostagem e dos restos dos grandes atacadistas e proliferam muito bem nestas condições.

Assim a solução será eliminá-los!? Será que eliminando pombos nós iremos resolver o problema? É interessante observar que em alguns locais mais críticos, na calada da noite (já que matar pombos é proibido por lei) provavelmente algum tipo de eliminação deva ocorrer, pois eles da noite para o dia ficam em minoria por algum tempo, mas logo os bandos estão fortalecidos. Isto sem contar aqueles que se divertem no tiro ao pombo.

Desde que o homem descobriu a primeira molécula eficiente para controlar pragas, o DDT, que ele busca sempre alguma nova utilização para o arsenal quimico que ele produz. Nem sempre controlar pragas é seguir por esse caminho. No caso do pombo, essa é uma realidade.

Assim enquanto não tomarmos medidas realmente adequadas e construtivas para controlar essas aves nós vamos continuar observando o pombo paulista, carioca, pernambucano, paraibano, gaucho, baiano, catarinense, etc, etc, etc.