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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tecnologia inovadora contribui para combater dengue, malária e pragas agrícolas


Foto: Divulgação / ICMC
Foto: Divulgação / ICMC
Como a inteligência artificial pode ajudar na luta contra insetos que causam doenças e pragas agrícolas? Uma pesquisa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, contribui para responder essa questão. Os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de identificar quantos e quais mosquitos estão em determinada área por meio do reconhecimento automático das espécies, a fim de combater os efeitos nocivos dos insetos.
Financiada atualmente pela FAPESP, a pesquisa resultou no desenvolvimento de dois principais produtos: um sensor e uma armadilha, que devem contribuir para a saúde pública e a agricultura, combatendo pragas agrícolas e insetos vetores de doenças em determinada região, sem prejudicar espécies benéficas, como abelhas, por exemplo. A tecnologia desenvolvida possui, ainda, potencial para ser amplamente comercializada, devido ao baixo custo de produção.
A armadilha representa um avanço tecnológico em relação às que existem hoje. “Para medir a densidade dos insetos que há numa região, por exemplo, já existe uma armadilha não seletiva, ou “armadilha adesiva”, como é mais conhecida. O problema é que ela acaba capturando tudo, inclusive insetos que não precisariam ser capturados”, contou o coordenador da pesquisa, Gustavo Batista.
Os pesquisadores acreditam que essa tecnologia seja eficaz, principalmente, no combate aos mosquitos de gênero Anopheles, vetores da malária, e aos mosquitos do gênero Aedes, vetores da dengue e da febre amarela. “Durante as campanhas de prevenção da dengue, é comum os agentes percorrerem bairros nos quais as pessoas foram diagnosticadas com dengue, entrando nas casas em busca de locais em que os mosquitos podem se reproduzir ou com a finalidade de pulverizar inseticida”, explicou Batista. “Entretanto, existe um grande hiato entre o momento em que a pessoa foi contaminada pela doença e o momento em que a campanha é feita. Esse hiato pode ser de apenas algumas semanas, mas isso representa mais do que o tempo de vida de um mosquito adulto. A vantagem do sensor é que ele permite identificar onde o inseto está em tempo real”, completou o professor.

Como funciona o sensor

Foto: Divulgação / ICMC
Foto: Divulgação / ICMC
Como podemos observar na figura, o sensor a laser usado para identificação dos insetos funciona da seguinte forma: ao atravessar a luz emitida pelo laser, as asas do mosquito impedem, parcialmente, a passagem da luz e, por estarem em movimento, causam pequenas variações, que são captadas pelos fototransistores. Essas variações são filtradas, amplificadas e gravadas por meio de uma placa eletrônica de circuito.
Cada espécie analisada produz um sinal ligeiramente diferente da outra, o que possibilita aos pesquisadores compararem, computacionalmente, os sinais de cada uma, identificando as diferentes espécies. Os sinais obtidos pelo sensor são bastante similares a sinais de áudio. A diferença é que os dados obtidos não são originários de variação nas ondas sonoras, mas sim da variação da luz. A vantagem disso é que o sensor é totalmente surdo para qualquer agente que não atravesse a luz do laser, portanto, não sofre interferência externa, como sons de pássaros, carros ou ruído dos aviões.
Um fator adicional importante do sistema é que sua produção tem um custo muito baixo. “É possível produzir o sensor investindo-se cerca de R$ 30, por isso, o equipamento pode ser amplamente comercializado”, disse o professor.
Além dos mosquitos da dengue e da malária, a pesquisa também coletou dados e criou sistemas de reconhecimento automático para as seguintes espécies: mosca-de-banheiro, mosca-da-fruta, mosca doméstica, joaninha, besouro, abelha, entre outros. O trabalho mostrou, ainda, que é possível diferenciar mosquitos vetores de doenças dessas outras espécies com uma percentagem de acerto entre 98 e 99%.

Como funciona a armadilha inteligente

Primeiramente (1), o inseto precisa ser atraído para a armadilha. Batista explica que, para isso, pode-se usar um atrativo como o dióxido de carbono, substância capaz de atrair as fêmeas de mosquitos: “Quando um mosquito se aproxima da entrada do dispositivo, ele é puxado pelo fluxo de ar em direção ao sensor a laser, já que existe um pequeno ventilador acoplado à armadilha”.
Foto: Divulgação / ICMC
Foto: Divulgação / ICMC
Depois de entrar na armadilha (2), o inseto passa pela luz do laser emitida pelo sensor, tal como explicado anteriormente. A diferença é que, no caso da armadilha, há uma porta (3) que pode capturar o inseto ou deixá-lo sair, dependendo da avaliação que será feita pelo sensor (4).
“É o sensor que vai decidir se prende ou solta o inseto. Se o inseto fica preso, o ar o empurra para uma segunda câmara, onde é retido pelo papel adesivo”, completou o pesquisador. Dessa forma, na armadilha inteligente, ficam grudados no papel apenas os insetos desejados, o que possibilita estimar com facilidade sua densidade populacional.
Para tornar o sensor capaz de decidir qual espécie deve ser capturada e qual deve permanecer livre, é preciso empregar técnicas de aprendizado de máquina. Entra em campo a inteligência artificial.
“O sensor pode classificar qualquer espécie de inseto, para isso é necessário que sejam coletados exemplos das espécies desejadas”, considerou o mestrando do ICMC, Diego Furtado Silva, um dos pesquisadores do projeto. Ele explica que, com esses exemplos, são obtidos dados sobre cada espécie, os quais fornecem um conhecimento prévio a respeito de como funciona o batimento das asas de cada uma. Assim, é possível desenvolver algoritmos (sequências de comandos em um computador), possibilitando ao sensor reconhecer quando é o momento de capturar uma espécie e quando é o momento de dispensá-la.

Iniciativa e resultados

Foto: Divulgação / ICMC
Foto: Divulgação / ICMC
A pesquisa teve início em 2011, quando o professor Batista estava fazendo seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos. Nessa época, o Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC) do ICMC estabeleceu uma parceria, que dura até hoje, com pesquisadores da universidade norte-americana.
Naquela época, o trabalho foi financiado pela FAPESP e pela Fundação Bill and Melinda Gates, cujo objetivo é apoiar pesquisas altamente inovadoras. Na ocasião, o objetivo da pesquisa era criar um sensor específico para os vetores da malária. Segundo dados da Fundação, a doença ocorre em cerca de 100 países em todo o mundo. Estima-se que 207 milhões de pessoas sofreram com a doença em 2012, e aproximadamente 627 mil morreram.
Hoje, ainda com financiamento da FAPESP, o trabalho conta com a colaboração da professora do ICMC Solange Rezende, além do professor da Universidade da Califórnia, em Riverside, Eamonn Keogh, e do fundador e presidente da Isca Technologies, Agenor Mafra-Neto. Também colaboraram para a pesquisa os seguintes alunos do ICMC: o doutorando Vinícius Souza, e os mestrandos Denis Reis, Cristiano Lemes e Luan Soares. Além dos doutorandos norte-americanos, Yanping Chen, Adena Why, Moses Tataw, Bing Hu e Yan Hao.
Mais informações: site http://labic.icmc.usp.br/

Fonte:http://www5.usp.br

segunda-feira, 7 de julho de 2014

GUERRA CONTRA AS FORMIGAS: SOLUÇÕES CASEIRAS E DICAS PARA EXTERMINÁ-LAS



Agradeço a publicação no site www.dicasdemulher.com.br/guerra-contra-as-formigas-solucoes-caseiras-e-dicas-para-extermina-las/ da entrevista que concedi a jornalista Tais Romanelli

Bióloga explica que o primeiro passo é descobrir de que buraco as formigas estão saindo

Por Tais Romanelli

guerra contra as formigas solucoes caseiras e dicas para extermina las 2 Guerra contra as formigas: soluções caseiras e dicas para exterminá las
Foto: Thinkstock
Quem nunca se incomodou, ao menos uma vez, com a presença de formigas em sua casa?! O problema é que nem sempre é fácil eliminá-las e a maioria das pessoas tem dúvidas de como fazer isso.
Lucia Schuller, Mestre em Saúde Pública e sócia da empresa ABC Expurgo, explica, primeiramente, que as formigas têm uma atividade maior nos meses de calor. Tanto as espécies que vivem nos jardins quanto as que vivem dentro dos domicílios. “Isso está relacionado à incapacidade que as formigas e os insetos em geral têm de produzir energia através da alimentação, como fazem os mamíferos. As formigas são termodependentes, ou seja, dependem das condições de temperatura e umidade para viver. Daí muitas espécies terem migrado para os ambientes internos de casas, hospitais, fábricas, restaurantes, já que nesses ambientes esses fatores são de certa forma controlados”, destaca.

Riscos oferecidos pela presença de formigas

Uma dúvida bastante comum é em relação aos problemas que a presença de formigas pode oferecer aos moradores de uma casa. Além de incomodarem e picarem as pessoas, será que elas podem causar prejuízos à saúde?
“O que causa transtornos é o fato das formigas carregarem em seu corpo partículas microscópicas, dentre elas, bactérias, encontradas durante o seu trabalho de forrageamento, ou seja, de coleta de alimento”, diz.
“Podemos imaginar uma situação em que as formigas transitam pelo banheiro, passam pelo cesto de lixo, onde há restos orgânicos, e capturam as bactérias, transportando-as para os alimentos ou os utensílios usados para conter os alimentos. Nesse caso, temos um problema sério”, acrescenta Lucia.

Orientações importantes para combater as formigas

guerra contra as formigas solucoes caseiras e dicas para extermina las Guerra contra as formigas: soluções caseiras e dicas para exterminá las
Foto: Thinkstock
Pensando em tudo isso, é obvio que as pessoas queiram eliminar e/ou evitar o aparecimento de formigas em casa. Mas será que essa é uma medida simples?
“As formigas são facilmente transportáveis de um ambiente para outro. Sendo assim, diminuir a sua presença fica um pouco difícil. O mais adequado seria não permitir que as formigas ocupem o nosso espaço. Para isso, é necessário observá-las e ver onde os ninhos estão situados e vedar esses acessos para as formigas”, destaca Lucia Schuller.
Abaixo, a bióloga explica como fazer isso, utilizando produtos que – em sua maioria – você possui em casa. Basta se atentar às informações e seguir cada orientação:
  • Vale destacar que as formigas se escondem em lugares, por exemplo, onde caiu massinha do azulejo, caiu o rejunte… São nesses buracos que elas entram e fazem seus ninhos.
  • Para resolver o problema, em primeiro lugar, conforme já ressaltou a bióloga Lucia, é necessário descobrir onde as formigas estão escondidas.
  • Para buscar “o caminho” delas, você pode colocar uma isca qualquer em uma tampinha de garrafa. Por exemplo, um pouquinho de mel, água açucarada, ou seja, qualquer alimento que atraia essas formigas.
  • Para chegar até a isca em questão, as formigas farão um caminho, indicando claramente o local de onde estão saindo. Uma vez sabendo isso, fica muito mais fácil fazer o controle.
  • Para fazer o controle propriamente dito, Lucia sugere colocar uma mistura de detergente e água em partes iguais dentro de uma seringa, injetando, em seguida, o líquido dentro do buraco onde estão as formigas. “Com certeza lá estão as crias e as rainhas – já que essas formigas doceiras possuem muitas rainhas; em contraposição às saúvas,que possuem uma única rainha que cuida de todo o formigueiro”, diz.
  • Fazendo isso, você inundará o buraco onde as formigas estão fazendo o ninho, e elas morrerão.
  • Porém, outras formigas poderão volta àquele buraco posteriormente, caso ele não seja definitivamente fechado. “Após a injeção da solução, os furinhos e as cavidades devem ser todos fechados com massa, silicone ou sabão em pasta”, destaca Lucia.
  • Se desejar, para tapar esse buraco, você pode fazer seu próprio vedante. Para isso, misturará um pouco de cimento branco e pó usado para pregar o azulejo na parede com um pouquinho de água. Com essa “papinha”, poderá fechar aquele buraco e, eventualmente, outros que achar pela casa.
As formigas estão saindo de uma tomada elétrica?
Nesse caso, você não poderá usar nada líquido. “Quando os ninhos estão dentro de tomadas, o que se deve fazer é jogar dentro delas um pouco de talco que vai repelir as formigas”, explica Lucia.
Isso ocorre porque, o talco – que é um pó muito fininho – “fecha” os “buraquinhos” laterais do corpo das formigas, por onde elas respiram, fazendo, consequentemente, com que elas morram.
Por fim, vale citar ainda o caso das formigas chamadas carpinteiras – que são aquelas que saem só à noite. Para resolver o problema com esse tipo de formiga, é necessário usar vinagre (branco comum).
Dica: spray com vinagre para evitar o aparecimento de formigas
O vinagre, aliás, é um produto que a maioria das pessoas tem em casa e que pode ser utilizado no sentido de evitar o aparecimento de formigas em lugares indesejados. Isso porque as formigas não gostam de vinagre (nem de limão).
Então, acabou de lavar a louça?! A pia está limpa?! Espirre um pouco de vinagre no local. Para isso, deixe à sua disposição uma mistura com um pouco de vinagre branco e água dentro de um borrifador.

O papel das formigas no meio ambiente

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Foto: Thinkstock
É comum que, ao ouvir falar de formigas, as pessoas pensem logo nos incômodos que elas causam dentro de uma casa. Mas, é preciso lembrar que a formiga é um inseto essencial na natureza.
“As pessoas costumam sempre olhar pelo lado danoso, de prejuízo. Não há dúvida que esse prejuízo acontece, mas, antes de tudo, as formigas são organismos importantes na melhoria da porosidade do solo, da circulação de nutrientes e de água, através de seu hábito explorativo, e de formação de túneis”, destaca Lucia Schuller.
Além disso, explica a bióloga, as formigas têm um importante papel na dispersão de sementes, transportando-as para ambientes com maior quantidade de nutrientes e umidade, onde as sementes têm melhores condições de germinar. “As formigas também eliminam algumas espécies de praga que causam prejuízos ambientais”, finaliza.
Agora você já conhece o importante papel que as formigas possuem na natureza, mas, é fato, que não deseja vê-las circulando pela sua cozinha, sala… Por isso, conte sempre com as orientações passadas acima para combater a indesejável presença de formigas dentro da sua casa!