Páginas

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

MINHA HOMENAGEM A ABC EXPURGO

FOTO OBTIDA NA CELEBRAÇÃO DA ISO 14001
Hoje é um dia especial para todos nós da ABC EXPURGO. A empresa completa 42 anos de existência em 31 de agosto. É uma vida inteira dedicada ao controle de pragas. A ABC EXPURGO nasceu da força de um casal, Peter e Lucia, que precisavam sobreviver a qualquer custo. Esse casal chegou em SP vindo do Rio no ano de 71 e seus pertences eram um fogão, uma geladeira, dois colchões e uma tv. Alugaram uma casa em S Bernardo do Campo, na mesma rua onde trabalhamos até hoje. Foram os dois primeiros anos muito difíceis para os dois. Nestes dois anos nasceram dois filhos do casal e no início a ideia era só trazer para S.Paulo a empresa do pai do Peter que importava equipamentos de aplicação de inseticidas e fabricava uma série de produtos.
No meio do caminho uma divergência na família obrigou o casal a iniciar uma empreitada por conta própria. Quando a primeira filha do casal nasceu foram 6 meses sem pagar aluguel. Até para comida faltou dinheiro. Mas, parece que uma força estranha impelia o casal para frente. A ABC EXPURGO, empresa familiar, que surgiu da luta de um casal também se organizou como dupla, e enquanto a Lucia ficava em casa cuidando dos filhos tocando a parte administrativa, o Peter cuidava das vendas e dos serviços. Foi um tempo duríssimo. O Peter era um homem arrojado, corajoso e decidiu comprar uma casa para abrigar a família antes de mais nada. Não havia dinheiro para a entrada, mas, acreditem ou não, foi o dono da casa que emprestou o dinheiro para a entrada. Depois vieram as intermediárias, outro obstáculo, que o Peter conseguiu vencer às custas de um trabalho muito pesado que ele encarou sozinho dentro da Unidade da GM em S José dos campos, sozinho e sem ajudante, o que lhe rendeu muitas bolhas no pé.
Depois disso finalmente o contrato social foi assinado nessa data e no ano seguinte tivemos mais uma filha.
Os anos foram passando e aí o Peter achou que precisava ter um local próprio para se estabelecer. Outra guerra, nosso orçamento não permitia, mas ele de alguma forma conseguiu o seu intento e adquirimos a metade do terreno onde estamos hoje.
Nova batalha se iniciava, dessa vez para construir o prédio. Não era nada fácil construção naquela época. A mão de obra era caríssima e escassa. Eram os tempos áureos do ABC Paulista. As fábricas se instalavam em grande número e também foi a nossa chance de pegar carona nesse crescimento e crescer junto. Conseguimos erguer o prédio, mas na hora do acabamento empacou de novo. Precisamos levantar um empréstimo no Banco America do Sul e como garantia empenhamos o prédio. Eu me lembro até hoje da sensação de dor ao sairmos do prédio do Banco após a assinatura do contrato. Nós já estávamos em 1977. E tocamos o barco para frente, sempre lutando. Fomos crescendo e entrou a minha parte do trabalho, por que afinal eu podia fazer alguma coisa a mais para ajudar. Eu não era um agente comercial como o Peter, que era difícil de superar, mas eu falava inglês fluente e comecei a estudar tudo o que eu podia sobre o assunto controle de pragas. Foi nessa época que começamos a montar a nossa biblioteca que hoje abriga uma centena de livros, talvez a melhor formada no Brasil sobre o assunto. Na década seguinte estudei muito, fizemos cursos para as empresas clientes, uma espécie de treinamento para ajudar em nosso trabalho de conscientização em controle integrado. Sim, desde essa época o controle integrado de pragas era um foco no nosso trabalho, apesar de não ser ainda muito entendido. Vieram os anos 90 e com eles a derrota da inflação, o que nos permitiu abrir uma nova empresa, a Ecco Conttrol, importadora de produtos não inseticidas, armadilhas luminosas e coisas afins. Foram anos de sucesso, porém o dólar voltou a crescer e a empresa perdeu a sua força, já agora com uma concorrência brasileira de produtos nacionais. Não fazia sentido continuar.
Tudo isso parece uma linha contínua em que somente esses acontecimentos se destacavam, mas não, tínhamos toda uma história de luta para nos mantermos vivos dentro de um mercado não profissional ou muito pouco, com baixo investimento e busca de muita lucratividade para os mais afoitos. Que é do ramo e viveu essa época sabe do que estou falando.
Nossos filhos foram crescendo e participando de nosso trabalho, o que foi fundamental para formação deles. Não digo que foi fácil a criação, pois transmitir aos filhos a sensação de luta, porém já com o caminho andado fica difícil. Os filhos demoram para entender e capitalizar essa experiência. Nosso sonho como de quase todos que tem uma empresa familiar é formar os filhos para que eles possam nos substituir no momento certo.
E foi nessa época graças ao esforço deles e da minha nora que se juntou à equipe, que conseguimos dar mais um passo no crescimento com a obtenção da Certificação ISO 9001 e 11 meses depois a 14001, o que nos tornou a primeira empresa de controle de pragas brasileira a obter essa certificação ambiental.
Mas a vida ainda tinha eventos reservados, novas barreiras. A primeira dela foi o falecimento do Peter em 2009 e três anos depois o falecimento do nosso filho Cristiano em 2012.
Tudo parecia desmoronar ao nosso redor. A morte é muito difícil de enfrentar e de sobreviver a ela. Requer uma força absurda e uma fé muito sólida. Sem ela, sem Deus ao nosso lado, nada disso teria sido possível. Passamos o ano de 2012 vagando pelo espaço, sem conseguir tocar o pé no chão.
As empresas familiares normalmente desabam e fecham totalmente quando enfrentam situações como essas, mas isso não aconteceu conosco. Não sei explicar como, mas conseguimos tirar algumas coisas boas desse terremoto que invadiu as nossas vidas. Nossa família ficou mais unida, o nosso amor cresceu como nunca e fomos à luta mais uma vez. Dessa vez, inspirados pelo trabalho desenvolvido pela Rollins Orkin nos Estados Unidos, empresa de 100 anos dedicados ao controle de pragas, resolvemos nos associar a eles e adquirimos a primeira franquia brasileira Orkin logo seguida pela Unidade de Belo Horizonte. Em maio de 2015 fez um ano que assinamos o contrato e fomos fazer um treinamento de 15 dias na sede da companhia em Atlanta. Muitos nos perguntam se valeu a pena ou não. Todo investimento tem o seu risco embutido, claro. Ainda mais em um momento de crise como aquele que estamos vivendo no Brasil. De uma certa forma eles também estão investindo em nós, na nossa capacidade de crescimento e de divulgação do nome ORKIN ao lado do nome ABC EXPURGO, aliando uma empresa que tem ações na bolsa de Nova York com uma empresa brasileira.
Esse ano tive mais um desafio na vida. Minha filha Monica, meu braço direito na área financeira se mudou para Dubai acompanhando o marido advogado a alçar voo no oriente em busca de novos caminhos para a sua família. Foi um novo período de adaptação para mim que achava que iria me aposentar, mas a ABC EXPURGO não me larga, não tem jeito. Acho que ela é a minha cara metade rsrsrs. A realidade é que ficamos eu e minha nora Carla para quem eu passei tudo ou quase tudo que aprendi nessa vida profissional. Ela tem sido uma filha a mais e uma profissional invejável tanto do ponto de vista técnico como comercial.
Como falei no início desse texto que não sei se alguém vai ter paciência de ler, mas que eu preciso escrever e deixar registrado esse meu testemunho de vida. A vida, essa dama que nos conduz na terra, não nos dá trégua. Ela quer que cresçamos, que evoluamos, que busquemos novos horizontes, que nos aperfeiçoemos no nosso trabalho e no nosso espírito. O trabalho é uma necessidade vital, não só para a nossa sobrevivência, mas também para a nossa melhoria individual. Não há coisa pior, eu creio que o indivíduo se aposentar e ficar olhando a tv o dia todo, sem ter uma motivação, sem ter um trabalho a fazer. Não somos uma empresa rica como alguns colegas nossos. Somos uma empresa média, porém com o foco voltado para encontrar uma solução para os nossos clientes. Talvez seja por isso que temos alguns clientes tão antigos e alguns que vão e voltam, em busca de um tratamento diferenciado. É isso que procuramos fazer, dentro dos padrões de honestidade e correção necessários. Nos dias de hoje, somos uma empresa sem dívidas, sem processos, com um nome limpo do qual todos nós nos orgulhamos.
Como o paciente leitor que chegar até o final da minha narrativa pode observar nós temos um caso de amor com a ABC EXPURGO que nos deu e dá sustento, sabedoria, conhecimento, busca pelo novo. Isso se reflete nos nossos funcionários, naqueles que permaneceram no nosso barco por muito tempo e que ainda permanecem. Procuramos manter um espírito de cumplicidade e apoio mútuo, pois só trabalhando junto conseguimos as mudanças almejadas.
Peço desculpas pelo longo texto, mas essa foi a minha maneira de celebrar esse dia, que não é somente um simples aniversário, uma passagem de ano, mas um marco na minha vida profissional e humana, um rememorar de toda uma vida dedicada a nossa família e a nossa empresa.
Não sei quanto tempo ainda estarei à frente da ABC EXPURGO, não tenho controle sobre a minha trajetória, mas, com certeza, a ABC EXPURGO estará sempre viva, ela deixa no mercado brasileiro uma história de muita luta e sucesso, mas deixa uma marca eterna de bons serviços, de bons profissionais, de luta para educar as pessoas ao invés de manipulá-las. Esse orgulho nós sempre iremos levar conosco, onde quer que estejamos neste mundo ou no outro.
Nada disso seria possível sem um agradecimento muito especial a todos que nesses 42 anos nos ajudaram, nos apoiaram, acreditaram em nosso trabalho, abriram portas de confiança para nós.
Uma palavra final a todos que nos admiram, que falam bem do nosso trabalho e que falam mal, também. Saibam que trabalhar é uma benção, lutar por um ideal outra benção, alcançar os objetivos sem precisar infringir é um patrimônio muito mais valioso do que qualquer bem material, pois são bens que carregamos dentro de nós mesmos e vamos levar sempre conosco. Quero repetir uma frase que meu filho Cristiano escreveu para mim numa de nossas batalhas, que dizia assim: “Mãe, não se deixa abater pelas adversidades. Lembre-se que juntos somos imbatíveis. ”  E ele tem razão, apesar de separados fisicamente e temporariamente, nosso amor nos une de forma eterna e indivisível.
Agradeço a paciência de quem leu esse texto.

Lucia Schuller   filha, esposa, mãe, avó, bióloga, empresária

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O FUTURO DO SETOR DE PRAGAS URBANAS

CONTROLE INTEGRADO DE PRAGAS URBANAS
UM DESAFIO DE EDUCAÇÃO
O FUTURO DO SETOR DE PRAGAS URBANAS

Estamos no Século XXI e os avanços tecnológicos decorrentes das pesquisas de grandes empresas têm facilitado a comunicação entre os povos. Abrimos o computador e temos imediato contato com uma pessoa que esteja do outro lado do mundo. Há um preço a pagar por tudo isso e esse preço é acharmos que podemos resolver tudo com a tecnologia. Nós profissionais de controle de pragas lidamos com a vida, com organismos, que convivem conosco, e que são a razão da constituição das nossas empresas.
Na ocasião de minha formação de ciências biológicas uma professora de zoologia comentou a respeito da produção de artigos científicos e a excessiva importância que os pesquisadores davam às análises estatísticas em detrimento da observação e acompanhamento do comportamento das espécies.
O Biólogo aprende a treinar sua visão para observação dos organismos em estudo e, nós, profissionais de controle de pragas, todos temos um pouco de biólogos, mesmo que tenhamos nos formado em veterinária ou qualquer outra profissão. Nossa atividade exige que tenhamos um conhecimento prévio da biologia, ecologia, etologia dos animais foco no nosso dia a dia.
Aqui no Brasil, pesquisas recentes relatam que o consumo de agrotóxicos tem aumentado a cada ano, graças a um estímulo que teve o seu início nos tempos da ditadura militar. Não há duvidas que a agricultura seja presa fácil, pois as perdas geradas por pragas pesam muito na balança e podem representar a falência.
Em 1962, Rachel Carson, uma bióloga marinha norte americana publicava o seu livro SILENT SPRING (PRIMAVERA SILENCIOSA), nos Estados Unidos. Após essa publicação, uma grande comoção tomou conta do povo norte americano, que passou a ler e discutir, pela primeira vez, na sua história, as questões ambientalistas, o uso indiscriminado de pesticidas, o risco a que as pessoas estão expostas constantemente ao abusar destes produtos.
Dois anos mais tarde, por ironia do destino, ou, simplesmente, porque a sua missão já estava encerrada, Rachel Carson morre, de câncer. Mas o seu legado para a sociedade foi único e fundamental. Suas denúncias de agressões ao meio ambiente bem como das substâncias tóxicas que estavam sendo incorporadas à cadeia alimentar e chegando à mesa de milhões de norte americanos provocaram uma onda de debates e discussões em todas as escolas, universidades e grupos sociais do país.
A Bióloga Rachel Carson foi uma das estimuladoras da criação da EPA (Environmental Protection Agency) (Agência de Proteção ao Meio Ambiente) que veio a ser fundada em 1970 nos Estados Unidos.  

A EPA tornou-se um organismo da maior importância nos Estados Unidos e no mundo, regulando, normatizando, fiscalizando todas as ações, produtos, equipamentos, que pudessem de alguma forma interferir negativamente nas pessoas e no meio ambiente.
A contribuição de Rachel Carson é inegável, porém os interesses financeiros prevalecem sempre, infelizmente. Na atividade de controle de pragas isso também aconteceu. Lembro-me de minhas primeiras visitações a clientes que esperavam que eu entornasse no ambiente deles uma quantidade de inseticida suficiente para deixar um cheiro forte, demonstrando à gerencia e outros funcionários que o “controle” estava sendo feito. Quando se mencionava a necessidade de praticar algumas ações simples que pudessem refrear a presença das pragas no ambiente isso era sempre visto como uma forma de nos esquivarmos ao compromisso de eliminar as pragas.
Nos dias de hoje a informação está mais bem difundida e tenho investido muitos anos da minha carreira profissional na educação, na disseminação do conceito integrado de pragas. Há uma melhor aceitação desses conceitos, sem dúvida, mas há muito que fazer para solidificar essa politica. Nos Estados Unidos, país que serviu para modelo nosso nesse trabalho, a aceitação da nova filosofia foi mais difícil. Em certa ocasião cheguei a assistir a um vídeo de um profissional conhecido que falava que não há desculpa para um controlador de pragas não desempenhar o seu papel, mesmo que seja num ambiente cheio de problemas estruturais e ambientais. A ênfase sobre os produtos químicos era fortíssima e continua sendo. Basta uma rápida leitura das revistas do ramo para ver a quantidade de anúncios de empresas de produtos químicos e artigos sustentando os seus pontos de vista. A indústria de controle de pragas nos Estados Unidos é muito forte, mas no Brasil é incipiente, já que os próprios fabricantes alegam ser a fatia insignificante perto do mercado agrícola, cerca de 1% do total.
No Brasil não há nenhuma estimativa a respeito já que, infelizmente, apesar da nova legislação introduzida no ano de 2000, ainda há uma grande quantidade de “empresas” sem qualquer tipo de registro, sem receberem acompanhamento periódico das equipes de Vigilância Sanitária. Existe uma estimativa de termos no Estado de São Paulo cerca de 3.500 empresas em funcionamento, legalizadas e não legalizadas e que somente 10% dessas estejam legalizadas frente à Autoridade Sanitária. Se considerarmos uma média de cinco aplicadores em cada empresa teremos 17.500 aplicadores liberando todo tipo de pesticida de uso profissional nos ambientes urbanos diariamente. As 90% de empresas não legalizadas certamente não investem em treinamento, em procedimentos ou qualquer outra ferramenta que garanta a segurança das aplicações e com suas atividades expõem a população urbana a malefícios que vão desde intoxicações até acidentes envolvendo bens materiais e pessoas.
Continuo, no entanto, com as mesmas ideias do início da minha carreira. Não acredito em controlar pragas sem conhecer as suas particularidades a fundo que conduzam a elaborar estratégias que incluam ou não o controle químico.
O conceito de controle integrado de pragas abrange oito passos distintos: Inspeção, Educação, Higienização, Construção, Manutenção, Exclusão, Pesticida e Monitoramento. Todas essas etapas são importantes e o peso de cada uma vai variar conforma as circunstâncias ambientais encontradas.
Inspecionar significa ter olho clinico para todas as formas de acesso ou oportunidade para as pragas, o que exige um conhecimento profundo de seu comportamento e biologia, o que conduz à educação do profissional, do cliente, dos funcionários. Sem educação não há futuro, não há controle, sempre haverá pragas. Os itens seguintes dizem respeito à forma como erguemos nossas estruturas urbanas. Nossa ilusão é sempre a de que as pragas não precisam ser pensadas nesse momento, pois elas podem ser combatidas depois, e isso é um engano. O trabalho preventivo é importante demais e reduz muito as possibilidades das pragas terem acesso às estruturas urbanas. O uso de pesticidas que ainda é tão valorizado pode ser superado se houver um trabalho sério preventivo. Todas as vezes que usamos pesticidas corremos riscos, ambientais, humanos, que podem ser minimizados. E como fica o trabalho do profissional de controle de pragas, onde ele se encaixa nesse quebra-cabeça? Aí mesmo, nessa balança equilibrada entre prevenção a ação química, enriquecendo o conhecimento a respeito desses animais, trabalhando como consultores que vão prevenir males futuros. Durante a ultima Expoprag cheguei a conversar com uma empresa do Paraná que trabalha única e exclusivamente com consultoria preventiva e um mínimo de ação química nos ambientes, orientando adequadamente os clientes na real e definitiva solução de seus problemas com pragas.
O futuro nosso é esse, aqui ou em qualquer outro país. As realidades são diferentes, não há dúvida, até mesmo no Brasil, que é um país continental com vários brasis dentro dele, há espaço para uma mudança de atitude e de visão. Basta querer, basta investir e agir.

Lucia Schuller

Bióloga e Mestre em Saúde Pública
Artigo publicado na revista CIPA nº 430

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

VETORES E O AMBIENTE DE TRABALHO


Segurança é a palavra chave. Mas que tipo de relação pode existir entre segurança no ambiente de trabalho e os vetores urbanos? 

Muito se tem discutido a respeito da real influência  que insetos e roedores tem sobre a saúde e segurança do trabalhador. Ainda se questiona sobre a real necessidade de se “investir” em um serviço de controle de pragas. Na presença das primeiras dificuldades econômicas, geralmente é o item que é imediatamente cortado para redução de despesas. Ou pior, no intuito de se executar um serviço com preços mais módicos, o trabalho é entregue a um funcionário da própria empresa, alguém da faxina talvez, que nenhum treinamento possui para executar tal tarefa. Esta pessoa passa a ser responsável pela aplicação de produtos tóxicos e consequentemente, pela segurança de todos que utilizam aquela área. A partir desta nova incumbência a questão  não é mais somente a presença de pragas mas  modifica-se e agrava-se pelo risco no uso de produtos quimicos.

A primeira questão é: Qual a importância das pragas para o ambiente de trabalho? Lá passamos a maior parte de nossas vidas e os melhores horários de nosso dia. Na busca da subsistência acabamos nos envolvendo com as rotinas diárias e lá deixamos grande parte de nossas energias. A competitividade assim o exige.

Em 1972 uma médica inglesa, Beatson, observou em um hospital a presença de pequenas formigas que se infiltravam dentro de medicamentos, materiais esterilizados, equipamentos para aplicação de soro, etc. e curiosamente, resolveu avaliar microbiologicamente, o que aqueles insetos poderiam eventualmente estar transportando. Ela surpreendeu-se com a grande quantidade de microrganismos patogênicos encontrados  nas diversas partes do corpo destas,aparentemente inofensivas, formiguinhas. Esta conclusão levou outros países a também iniciarem estudos e a chegarem a conclusões semelhantes à da Dra Beatson a respeito do risco à saúde  que estas formiguinhas representam. O nosso ambiente de trabalho pode ser um  hospital, um restaurante, um escritório, um galpão de fábrica, ou até mesmo a nossa casa. Em todos estes ambientes as pragas vão ter ou não condições de se abrigar, proliferar e por consequência espalhar microrganismos e aumentar as chances de entrarmos em contato com eles. Assim, quanto melhor fôr o ambiente de trabalho do ponto de vista de higiene, limpeza, manutenção  e ausência de pragas, melhor para nós, para nossa saúde e melhor será o nosso rendimento. Estaremos doentes menos vezes e produziremos mais.

A segunda questão é: Como fazer o controle de pragas de uma forma segura? A imprensa constantemente noticia fatos relacionados com intoxicações através do uso indevido e abusivo de produtos químicos, especialmente inseticidas. As estatísticas da FioCruz mostram que cerca de 50 % dos acidentes que anualmente ocorrem nos lares brasileiros envolvem o uso de pesticidas agropecuários, de uso profissional e domésticos. A Portaria 321 do Ministério da Saúde distingue entre os produtos permitidos para uso doméstico e consequentemente, por uso de leigos, dos ditos  de uso exclusivamente profissional e estabelece parâmetros para o seu registro e utilização.

Entretanto, o trabalho de controle de pragas não é mais uma mera aplicação de “venenos” com os seus consequentes riscos à saúde pública. É, muito mais do que isto. É um trabalho de observação, de integração, de conscientização. Todos devem estar envolvidos, cliente e parceiro, nesta batalha. A utilização de produtos químicos é somente uma das etapas do controle. Esta nova visão chama-se Controle Integrado de Pragas e  segue de encontro com as posturas que estão sendo adotadas modernamente em relação ao meio ambiente. Um pesticida mal utilizado pode contaminar o ambiente urbano e as pessoas que lá vivem. Com certeza não é a única solução de nossos problemas com pragas.

Este cenário é incompatível com os dias atuais, em que o desdobramento do conhecimento humano abriu janelas e espaços para novos conhecimentos que permitem que todo este trabalho seja feito com a maior segurança e confiabilidade de resultados.

A solução está em uma maior participação de todos os envolvidos neste cenário, em uma maior integração das áreas da empresa, de uma maior e mais abrangente doutrinação das pessoas no sentido de colaborarem para a obtenção dos resultados positivos.

Todos ganham com isso. O meio ambiente, que vai ser menos afetado; as pessoas, que serão mais protegidas. Só as pragas urbanas levam a pior.

.



Lucia Schuller

Bióloga