Páginas

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

DOCUMENTAÇÃO UM CASO SÉRIO - parte 4




A elaboração de uma proposta técnica de controle integrado de pragas marca na verdade o início de todo o caminho dessa prestação de serviços. A legislação estadual considera-a como um documento com normas de preenchimento e que deverá conter as informações preliminares fundamentais de todo o controle.




Muitas vezes o tomador de serviços costuma criticar o tamanho e conteúdo das propostas, solicitando que elas contenham unicamente os valores da prestação de serviços. As empresas que optam por seguir as Normas legais necessitam apresentar todas as informações exigidas, caso contrário estarão em desacordo com a legislação.

A legislação do Estado de São Paulo (CVS nº 9) destinou um espaço importante para tratar de um documento muitas vezes considerado como peça de marketing pessoal da empresa.

Na verdade a proposta técnica de prestação de serviço de controle integrado de pragas deve necessariamente refletir um trabalho inicial de avaliação do local objeto e a legislação determina que ela contenha algumas informações básicas, a saber:

- numeração seqüencial;
- data;
- registro da avaliação técnica efetuada;
- identificação das pragas;
- definição do tratamento a ser realizado;
- produtos a serem utilizados;
- métodos de aplicação dos produtos selecionados;
- possível data para a execução do serviço;
- orientações ao usuário referentes ao preparo do local e as recomendações antes e pós-tratamento.

A Portaria CVS nº 9 ainda fornece um modelo de orçamento padrão para que as empresas o sigam.

Esta padronização tem também o efeito de nivelar as empresas para facilitar inclusive o julgamento técnico.

Muitas pessoas que são escaladas para fazer este julgamento alegam não conhecerem as características desse trabalho e reclamam muito da dificuldade que têm para analisar as propostas.

Realmente, muitas propostas se limitam a mostrar os números (que é a parte inicialmente analisada pelo comprador) deixando a parte técnica um pouco confusa ou misturando informações de cunho mercadológico com informações de cunho técnico, o que, na maioria das vezes, desnorteia o comprador, confundindo o julgamento.

A legislação veio estabelecer um critério mais frio e ponderado que vai fornecer elementos técnicos mais facilmente comparáveis, ajudando sobremaneira nesse árduo processo de julgamento.

Em seu Anexo I a Portaria CVS nº9 dá Instruções para o Preenchimento da Proposta Técnica e fornece um modelo. Para facilitar elaboramos um pequeno check list que deverá ser seguido durante essa análise:


1 - Dados da empresa controladora (razão social, endereço completo, telefone).

2 - Número de Licença de Funcionamento emitida pelo órgão competente do Estado ou Município.

3 - Número da proposta de serviço.

4 - Dados do cliente (razão social, o nome de contato e endereço completo do imóvel para ser tratado).

5 - Vetores e pragas urbanas para os quais foram solicitados os serviços de controle.

6 - Tipo de atividade e uso que tem o imóvel.

7 - Especificação das áreas construídas a serem tratadas.

8 - Descrição da área externa do imóvel.

9 - Características das áreas vicinais.

10 - Área total aproximada.

11 - Vetores e pragas encontradas durante a vistoria.

12 - Tabela contendo os seguintes dados:

- desinfestantes a serem utilizadas (ou formulação), concentrações de uso dos praguicidas, diluente, volume a ser utilizado, animal alvo, tipo de equipamento.

Além de todas essas informações faz parte da proposta técnica uma descrição das medidas preventivas relacionadas com a(s) praga(s) a ser(em) combatida(s).

Não faz sentido elaborar uma proposta técnica de Controle Integrado de Pragas sem mencionar medidas de cunho preventivo que são fundamentais para o sucesso desse Programa.

Dessa forma acima descrita fica muito mais fácil e justo analisar as propostas recebidas e rejeitar aquelas que não tem fundamento técnico legal evitando que se compre gato por lebre, o que, infelizmente, somente é percebido quando a prestação de serviços está em andamento, acarretando prejuízos de monta para as empresas e consumidores em geral.


Lucia Schüller

Bióloga e Mestre em Saúde Pública

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

BARATAS DE ESGOTOS SÃO MUITO FREQUENTES NESSA ÉPOCA DO ANO


Praga difícil de ser combatida – as baratas “voadoras” , da espécie Periplaneta americana são abundantes nas rêdes de esgôtos e águas pluviais das cidades.

As suas aparições seguem um padrão. Elas entram voando por janelas, portas; ao entrar nas casas se debatem fazendo um barulho característico e assustador. São também chamadas de “cascudas”.

Costumam aparecer em banheiros e cozinhas de apartamentos de prédios altos. Não importa a altura. Elas entram em apartamentos no décimo andar de prédios.

Na prática, sabemos que este inseto é um habitante das canalizações subterrâneas, procurando espaços mais abertos, onde haja maior liberdade de movimentação. São insetos de hábitos crepusculares e noturnos e costumam com frequência habitar nas rêdes pluviais e de esgôtos em número incalculável. A vivência  indica que por diversas vezes, foi possível observar a presença destes insetos, em grande número, dentro de caixas de gordura, tubulações de esgotos, redes de águas pluviais, redes subterrâneas de energia.. Quanto maior a quantidade de resíduos orgânicos presentes, tanto maior o número de espécimens encontrados. Em média, é possível encontrar de 500 a 5.000 baratas por visita, dependendo de vários fatores, tais como, tipo de matéria orgânica , tratamentos anteriores já efetuados, produtos anteriormente utilizados, extensão da rede, dentre outros.

Os pontos mais infestados costumam ser aqueles próximos à área de alimentação e vestiários nas indústrias de uma forma geral. Nas indústrias de alimentos e farmaceuticas os resíduos decorrentes da higienização das áreas de produção são um excelente atrativo para estes insetos.

O adulto desta espécie tem cerca de 5 cm de comprimento e mais de 7 cm de envergadura quando está de asas abertas. Assim, ele necessita de espaço para se locomover e principalmente para distribuir as cerca de 90 bolsas de ovos que cada fêmea produz durante toda a sua vida.






Ao contrário da espécie mais caseira, a Blattella germanica, a P. americana não carrega os ovos até a hora do nascimento. Ela produz os ovos, contidos dentro da ooteca e a libera, colando-a com saliva em locais de fartura de matéria orgânica, que darão condições de sobrevivência aos seus descendentes.

Os indivíduos desta espécie vivem cerca de 440 dias e estão aptos para a reprodução em cerca de 6/7 meses.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

CUPINS CONTROLE - MANHÃ MAIOR

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Certificações


Histórico da empresa


ABC EXPURGO Um passo à frente no Controle de Pragas


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

DOCUMENTAÇÃO - UM CASO SÉRIO - parte 3


 DOCUMENTAÇÃO – UM CASO SÉRIO  III



O certificado fornecido pelas empresas controladoras  de pragas urbanas é um documento muito importante para quem recebe o serviço, principalmente se o cliente for uma empresa sujeita à constante fiscalização dos órgãos de saúde.

Os dados que devem constar no documento seguem a legislação vigente e devem ser conferidos no ato do recebimento.

Em se tratando de documento de comprovação da contratação do serviço sugerimos que seja elaborado um procedimento ou check list para a sua verificação.

As Normas de Funcionamento estabelecidas na Portaria CVS/SP nº 9 de16/11/2000 definem o certificado ou comprovante de execução de serviço da seguinte forma: 

"Documento que as empresas são obrigadas a fornecer ao final de cada serviço executado, assinado pelo responsável técnico onde conste pragas-alvo, nome e a composição qualitativa do produto ou associação utilizada, as proporções e a quantidade total empregada por área, bem como o antídoto a ser utilizado no caso de acidente e telefone dos Centros de Controle de Intoxicação (CEATOX)”.

Já a Resolução (RDC) nº 52 de 22 de Outubro de 2009, da ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) determina que todas as empresas controladoras brasileiras emitam os seus certificados ou comprovantes de aplicação/execução contendo as seguintes informações:

                                               
                        “Art. 20 A empresa especializada deve fornecer ao cliente o comprovante de execução de serviço contendo, no mínimo, as seguintes informações:             
                                   
                        I - nome do cliente;II - endereço do imóvel;III - praga(s) alvo;IV - data de execução dos serviços;V - prazo de assistência técnica, escrito por extenso, dos serviços por praga(s) alvo;VI - grupo(s) químico(s) do(s) produto(s) eventualmente utilizado(s);VII - nome e concentração de uso do(s) produto(s) eventualmente utilizado(s);VIII - orientações pertinentes ao serviço executado;IX - nome do responsável técnico com o número do seu registro no conselho profissional correspondente;X - número do telefone do Centro de Informação Toxicológica; e XI - identificação da empresa especializada prestadora do serviço com: razão social, nome fantasia, endereço, telefone e números das licenças sanitária e ambiental com seus respectivos prazos de validade.               
                       
                       
                        Art. 21 Quando a aplicação ocorrer em prédios de uso coletivo, comercial ou de serviços, a empresa especializada deverá afixar cartazes informando a realização da desinfestação, com a data da aplicação, o nome do produto, grupo químico, telefone do Centro de Informação Toxicológica e números das licenças sanitária e ambiental.                 

Neste caso a legislação Federal predomina sobre as demais e as empresas de todo o país são obrigadas a emitir os seus certificados dessa forma. O Estado de São Paulo exige praticamente todos os itens citados e inclui o item antídoto, que também deverá constar do documento.

Alguns itens desta lista merecem um destaque e um comentário.

O nome e a concentração do principio ativo e quantidade aplicada por área é muitas vezes confundido e tenho observado inúmeros certificados com informações duvidosas.

A concentração que a norma se refere é a de princípio ativo e não de volume.

Assim, o fornecedor do serviço precisa calcular quanto de principio ativo ele formulou na calda aplicada correspondendo ao volume que ele utilizou. Não importa a formulação comercial que ele tenha escolhido para fazer a diluição, mais ou menos concentrada. O que importa é que o cálculo feito da concentração seja correspondente aos limites observados na legislação. É necessário consultar a Portaria nº 10 do SNVS/ Ministério da Saúde e verificar as concentrações permitidas para as substâncias legalmente utilizáveis (vide no site www.abcexpurgo.com.br o texto da legislação na íntegra).

Um exemplo clássico é a Deltametrina. Na Portaria 10 a permissão de uso da substância é de 0,06% na diluição para entidades especializadas. Assim, se em seu certificado constar 1 ou 0,5% estará bem fora das especificações legais. O cálculo deve ser feito de acordo com a rotina de cada controlador de pragas, porém não pode exceder os limites previstos na legislação federal e no rótulo do fabricante.

A quantidade de produto aplicado na área também é informação obrigatória e cada vez mais se faz mandatória, face aos esforços das empresas em obter Certificações Internacionais de Qualidade. Dessa feita, informações do tipo -bloco parafinado com 20 gramas - não é suficiente. É preciso definir a quantidade de blocos parafinados trocados no dia da aplicação e a quantidade de blocos parafinados presentes no ambiente que está sob tratamento.

A Portaria nº 9 ainda prevê que os certificados apresentem os antídotos em caso de acidentes com produtos químicos. Esta informação é de uso exclusivamente médico já que somente será utilizada em uma situação específica e clara de intoxicação. Mas é muito importante que o Departamento Médico das empresas mantenha em seus arquivos cópias simples de cada certificado de aplicação. Assim, num eventual acidente as informações podem ser transmitidas rapidamente para o médico responsável pelo atendimento inicial para que ele possa tomar as decisões adequadas para cada caso.

Em suma, o certificado ou comprovante da aplicação deve espelhar exatamente o que está sendo utilizado em um determinado ambiente do ponto de vista químico e as informações ali constantes são muito importantes para os setores encarregados de MEIO AMBIENTE e SEGURANÇA nas empresas.

Como medida facilitadora, abaixo segue uma lista que pode ser convertida em um check list interno que contém as exigências constantes nas duas Normas de Funcionamento das empresas controladoras de pragas para emissão do certificado ou comprovante de execução de serviço, que são:

a) NOME DO CLIENTE

B) ENDEREÇO DO IMÓVEL

C) PRAGAS-ALVO

D) GRUPO(S) QUÍMICO(S) DO(S) PRODUTO(S) UTILIZADO(S)

E)NOME E CONCENTRAÇÃO DE USO DO PRINCÍPIO ATIVO E QUANTIDADE DO PRODUTO APLICADO POR ÁREA.

F) ANTÍDOTO A SER UTILIZADO EM CASO DE ACIDENTE.

G) NOME DO RESPONSÁVEL TÉCNICO COM O NÚMERO DO SEU REGISTRO NO CONSELHO CORRESPONDENTE.

H) NÚMERO DO TELEFONE DO CENTRO DE INFORMAÇÃO TOXICOLÓGICA MAIS PRÓXIMO

I) ENDEREÇO E TELEFONE DA EMPRESA ESPECIALIZADA.

Este documento deve ser feito em papel timbrado da empresa e deve vir assinado pelo responsável técnico. Ele deve ser apresentado em todas as visitas da Vigilância Sanitária ao estabelecimento. Uma cópia simples pode ser afixada em local visível, porém o original deve ser arquivado em pasta apropriada.

Lucia Schüller

Bióloga e Mestre em Saúde Pública